Embora se assemelhe a um coral, a uma raiz ou pequena árvore, a foto acima na verdade mostra um coágulo de sangue de 15 centímetros de largura na forma quase perfeita da árvore brônquica direita de um pulmão humano, conforme noticiou a Atlantic nesta quinta-feira (6).

Ainda mais desconfortável que a imagem é a revelação de que ele não foi removido por uma equipe médica, mas, sim, tossido para fora por um paciente que estava sofrendo de insuficiência cardíaca.

A foto foi divulgada no final de novembro como parte da série “Imagens em Medicina Clínica”, do New England Journal of Medicine. Os médicos Gavitt A. Woodard e Georg M. Wieselthaler, da Universidade da Califórnia em San Francisco, escreveram que a foto veio de seu paciente, um homem de 36 anos que há muito tempo sofria com insuficiência cardíaca crônica.

O paciente tinha um histórico médico que incluía “insuficiência cardíaca com uma fração de ejeção de 20%, substituição da válvula aórtica bioprotética para estenose aórtica bicúspide, stent endovascular de um aneurisma aórtico e colocação de um marcapasso permanente para bloqueio cardíaco completo”. Quando o paciente foi hospitalizado na unidade de terapia intensiva, eles o ligaram a uma bomba projetada para ajudar a circular o sangue pelo corpo:

Foi colocado um dispositivo de assistência ventricular Impella para o tratamento da insuficiência cardíaca aguda, e iniciou-se uma infusão contínua de heparina para a anticoagulação sistêmica. Durante a semana seguinte, o paciente teve episódios de hemoptise de pequeno volume, aumento do desconforto respiratório e aumento do uso de oxigênio suplementar (até 20 litros administrados através de uma cânula nasal de alto fluxo). Durante um episódio extremo de tosse, o paciente expectorou espontaneamente um molde intacto da árvore brônquica direita.

O paciente foi posteriormente extubado e “não teve mais episódios de hemoptise”, escreveram os médicos, mas, uma semana depois, infelizmente, ele “morreu por complicações da insuficiência cardíaca (sobrecarga de volume e débito cardíaco fraco), apesar da colocação do dispositivo de assistência ventricular”.

De acordo com a Atlantic, Wieselthaler disse que o uso da bomba requer anticoagulantes para “tornar o sangue mais fino e prevenir a formação de coágulos”, embora isso venha com o risco de sangramento interno descontrolado. Nesse caso, Wieselthaler disse à revista, o sangue que deixa o coração para estocar oxigênio fresco no sistema circulatório parece ter se acumulado na árvore brônquica direita, coagulado, e então foi ejetado pelo paciente em uma forma confusa:

Uma vez que Wieselthaler e sua equipe desdobraram cuidadosamente o coágulo e o colocaram sobre a mesa, descobriram que a arquitetura das vias aéreas tinha sido mantida tão perfeitamente que eles foram capazes de identificá-la como a árvore brônquica direita, com base apenas no número de ramificações e seu alinhamento.

Wieselthaler acrescentou que uma maneira como o coágulo pode ter permanecido intacto, em vez de ser quebrado, era por meio de uma alta concentração de fibrinogênio, uma proteína no plasma sanguíneo que ajuda a formar coágulos. O paciente teve uma infecção que agravou a insuficiência cardíaca e pode ter causado um acúmulo de fibrinogênio no sangue, resultando em um coágulo mais elástico, disse à Atlantic.

Woodard disse à revista que é também possível que o tamanho do coágulo na verdade pode ter contribuído para a sua ejeção, pois isso poderia ter permitido ao paciente “gerar força suficiente de todo um lado direito de seu tórax para empurrá-lo para cima e para fora” (entramos em contato com Woodard para esclarecer algumas questões pendentes e vamos atualizar a publicação se tivermos alguma resposta).

Pode parecer que estamos xeretando o produto do infortúnio médico alheio, mas mesmo a maioria dos médicos pode nunca ter a chance de ver algo assim. Embora existam outras condições que podem resultar em moldes brônquicos, incluindo infecções e condições asmáticas ou distúrbios de fluxo linfático que podem causar acúmulos de muco ou fluido linfático, respectivamente, Wieselthaler foi enfático ao dizer que o tamanho desse coágulo é quase sem precedentes.

“Ficamos atônitos”, disse Wieselthaler à Atlantic. “É uma curiosidade que não se pode imaginar — quer dizer, isso é muito, muito, muito raro.”

[New England Journal of Medicine via Atlantic]