Quando os europeus chegaram ao continente americano, eles trouxeram todos os tipos de doenças: peste bulbônica, catapora, varíola e tuberculose, para citar algumas. De forma semelhante, pesquisadores da Rota da Seda, caminhos que ligavam o sul da Ásia à Europa, descobriram que os viajantes também ajudaram a espalhar doenças infecciosas pelos continentes.

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Antropólogos examinaram hastes higiênicas pessoais de 2000 anos atrás — elas consistem em uma haste coberta com um pedaço de pano que era usada para fazer a limpeza após defecar — recuperadas de uma latrina e em paradas populares na Rota da Seda, no noroeste da China. Em um estudo publicado no Journal of Archaelogical Science, os pesquisadores informaram que acharam ovos de múltiplos vermes parasitas, incluindo tênia e fascíola hepática chinesa (que consiste em um verme que fica no fígado de humanos e de outros mamíferos).

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Caminhos da Rota da Seda. Crédito: Wikimedia/Creative Commons

O verme de fígado — que causa dor abdominal, diarreia, e câncer de fígado — não era endêmico na região onde a privada foi encontrada. Segundo um comunicado da Universidade de Cambridge, o verme de fígado precisava de locais úmidos para sobreviver, porém a amostra foi encontrada próxima a Tamrin Basin, região conhecida por ser próxima ao deserto Taklamakan. A região mais próxima em que o verme poderia ter sobrevivido fica a 1.500 km dali.

Havia poucas evidências antes de que as doenças da região foram espalhadas pela Rota da Seda. Logo, a descoberta ajudou a dar mais detalhes sobre a história da região, além de prover uma linha do tempo de como as doenças podem ter sido espalhadas.

Os pesquisadores também especulam que doenças como peste bulbônica e carbúnculo foram espalhadas pela rota comercial, que ocorreu entre os anos 202 a.C. e 222 d.C. A rota foi importante para o desenvolvimento de civilizações antigas da China, Índia e Europa.

“Quando eu vi os primeiros ovos do verme de fígado no microscópio, sabia que que tinha feito uma importante descoberta”, disse Hui-Yuan Yeh, um dos autores do estudo. “Nosso estudo é o primeiro a usar evidências arqueológicas da Rota da Seda para demonstrar que os viajantes estavam levando doenças infecciosas com eles nesses trajetos longos.”

Para ler mais sobre a jornada para descobrir as doenças da Rota da Seda, leia este editorial (em inglês) escrito por Piers Mitchell, que trabalhava no projeto.

[Motherboard via Universidade de Cambridge]

Foto do topo: Ovo de verme de fígado encontrada em uma privada antiga. Imagem por The Journal of Archaelogical Science.