Jan Koum anunciou durante a noite desta segunda-feira (30) que está deixando o WhatsApp, empresa cofundada por ele e adquirida posteriormente pelo Facebook. Koum fundou o serviço de mensagem em 2009, junto com Brian Acton, que deixou a empresa no ano passado.

Koum usou o Facebook para divulgar sua saída. “Faz quase uma década desde que eu e Brian começamos o WhatsApp, e tem sido uma jornada incrível com algumas das melhores pessoas. No entanto, é tempo de ir adiante”, afirmou. “Vou ficar um tempo sem fazer coisas. Gosto de coisas fora do mundo da tecnologia, como colecionar Porsches raros com refrigeração a ar, trabalhar com meus carros e jogar ultimate frisbee.” Ou seja, vai usar o tempo para gastar os bilhões que ganhou ao vender o app para o Facebook.

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Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, publicou uma mensagem agradecendo e afirmando que aprendeu muito com Koum sobre “criptografia e sua habilidade de tirar o poder de sistemas centralizados e dar o poder de volta para as pessoas”. Zuckerberg disse ainda que “esses valores sempre estarão no coração do WhatsApp”. Apesar do anúncio, não ficou claro quando exatamente Koum vai sair da empresa e do conselho do Facebook, cargo que também ocupa na companhia.

Saída mal explicada

Tudo muito bom e tudo muito bonito na superfície, mas a saída do último cofundador do WhatsApp do Facebook ainda está muito mal contada. Ninguém claramente citou a razão, mas fontes de jornais internacionais dão conta de um conflito interno.

Segundo o Washington Post, tem havido grande pressão dentro do Facebook para fazer o WhatsApp render dinheiro. Paralelamente a isso, tanto Koum como Acton sempre foram contra o uso de propagandas e a favor de privacidade e forte criptografia em seus serviços.

O jornal norte-americano cita uma lista de aspectos que foram cedidos com o tempo e que foram causas de discórdia entre o núcleo dos fundadores e o Facebook. Por exemplo: a ideia de compartilhar dados do WhatsApp com o Facebook, a possibilidade da plataforma conter um sistema de pagamentos na Índia e o WhatsApp Business.

Até a criptografia de ponta a ponta, adotada em 2016, foi causa de discórdia. Ainda que o recurso esteja aí disponível para todo mundo, o Washington Post menciona que executivos do Facebook queriam tornar mais fácil o uso das ferramentas por empresas. Para os funcionários do WhatsApp, a medida significaria ter de enfraquecer a segurança da plataforma de mensagens.

Toda a situação teria deixado Koum desgastado e o fez deixar a companhia. Aparentemente, ele não vai ser o único. O jornal cita que vários funcionários estão esperando completar os quatro anos após a aquisição (contando o prazo de aprovação do negócio de entidades reguladoras) — em novembro deste ano — para deixar a empresa.

Brian Acton, que deixou o Facebook no ano passado, resolveu investir seu dinheiro na The Signal Foundation, uma entidade sem fins lucrativos com o objetivo de criar a próxima geração da tecnologia de privacidade de código aberto. É importante lembrar que a base do protocolo de criptografia do WhatsApp é o mesmo usado pelo Signal.

Após as revelações de uso de dados de usuários do Facebook pela Cambridge Analytica, Acton publicou que “era hora de deletar o Facebook”.

Diante desse cenário, é possível presumir que os cofundadores não conseguiram seguir adiante com o que eles haviam concebido e resolveram vazar. Pelo menos, eles têm alguns bilhões de dólares na conta como consolo.

[Facebook e Washington Post]

Imagem do topo: o cofundador do WhatsApp Jan Koum durante apresentação. Crédito: AP