A demonstração no vídeo acima pode parecer magia, mas é real: cientistas estão utilizando uma máquina de levitação que usa ondas sonoras para fazer líquidos flutuarem. Assim, eles criam “medicamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais”.

O projeto acontece no Argonne National Laboratory, um dos maiores laboratórios de pesquisa científica do Departamento de Energia dos EUA.



O físico Chris Benmore, pesquisador-chefe do projeto, diz que este método de levitação vai “resolver um problema de longa data” na produção de remédios: transformar uma solução líquida de medicamento em um sólido amorfo, em vez do estado cristalino atual – algo extremamente difícil.

Remédios amorfos são o santo Graal da indústria farmacêutica. Eles são muito mais eficientes que as versões cristalinas porque são altamente solúveis e, portanto, podem ser absorvidos mais facilmente por suas células. Isto se chama biodisponibilidade: um valor mais alto resulta em doses menores de remédio, já que a absorção é maior é há menos desperdício. Isso é algo bem melhor para seu corpo.

De acordo com Yash Vaishnav, que trabalha com propriedade intelectual no Argonne, “a maioria dos remédios no mercado são cristalinos – eles não são totalmente absorvidos pelo corpo, e portanto nós não obtemos o uso mais eficiente deles”.

A dificuldade está no fato de, se o remédio em líquido entrar em contato com algo sólido, o remédio tende a “se solidificar em forma cristalina”, diz Benmore: “é quase como se essas substâncias quisessem encontrar um jeito de se tornar cristalinas”.

Aí entra a levitação de líquidos, uma máquina que usa ondas sonoras para fazer soluções líquidas flutuarem:

O levitador acústico usa dois pequenos alto-falantes para gerar ondas de som em frequências ligeiramente acima da faixa audível – cerca de 22 quilohertz. Quando as caixas em cima e embaixo são alinhadas de forma precisa, elas criam dois conjuntos de ondas sonoras que interferem perfeitamente um com o outro, estabelecendo um fenômeno conhecido como onda estacionária.

Ou seja, é preciso fazer o remédio flutuar para que nada o toque.

Desta forma, as soluções líquidas não tocam nenhum material sólido enquanto a água evapora, e se solidificam no tão desejado remédio amorfo.

Por enquanto, só é possível criar pequenas quantidades de medicamentos amorfos. Afinal, este é apenas um primeiro passo para tornar os remédios ainda melhores. [Argonne National Laboratory via Scientific American via It’s ok to be smart via Explore]

Foto por Argonne National Laboratory/Flickr