Um comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu que Julian Assange foi “arbitrariamente detido pelos governos da Suécia e do Reino Unido”, e acredita que ele deve ter “direito à sua liberdade de movimento.”

Assange e seus representantes legais apelaram para o grupo de trabalho da ONU para detenções arbitrárias em 2014 dizendo que sua permanência dentro da Embaixada do Equador é injustificada e vinha prejudicando a sua saúde. Agora, o comitê determinou que Assange tem “sido submetido a diferentes formas de privação de liberdade” desde que foi inicialmente detido em 2010. A ONU explica:

O grupo de trabalho solicitou à Suécia e ao Reino Unido para avaliar a situação do Sr. Assange para garantir a sua segurança e integridade física, para facilitar o exercício do seu direito à liberdade de movimento de modo expedito, e para garantir o pleno exercício dos seus direitos garantidos pelas normas internacionais de detenção. O grupo de trabalho também considerou que a sua detenção deve ser levada ao fim e que o Sr. Assange deve receber direito a uma compensação.

Autoridades suecas buscam Assange sob alegação de estupro, mas ele resiste questionando as denúncias – muito por ter medo de ser extraditado para os Estados Unidos. Se isso acontecer, ele deve sofrer acusações severas relacionadas aos documentos expostos durante vazamentos do WikiLeaks que começaram em 2010.

A BBC falou sobre a decisão do comitê da ONU ontem. Com base na notícia, Assange foi ao Twitter explicar:

“Espero a devolução imediata do meu passaporte e o término das tentativas de me prender.”

O veredito, no entanto, não tem nenhuma influência sobre o que os governos britânico e sueco fazem – é comum países ao redor do mundo governados pela ONU violarem os direitos humanos mesmo depois de denunciados pelo órgão. A polícia de Londres já deu sinais de que não levará a decisão da ONU em questão na hora de abandonar a decisão europeia de prisão contra ele, e diz que ele vai ser levado em custódia caso saia da embaixada.

[UN Working Group on Arbitrary Detention]

Imagem via AP