Adam Lashinsky, da revista Fortune, investigou e pesquisou obstinadamente por meses, e agora publicou um artigo chamado “Por dentro da Apple”. Um título adequado, já que ele quer revelar o cerne de cultura da Apple: esta é uma empresa onde o fracasso não é uma opção.

A Apple consegue lançar um produto de sucesso (iPod), depois outro (iPhone), e depois mais outro (iPad). Então o que acontece quando algo fracassa? Bem, pra dar uma ideia a você, isto é o que aconteceu com a equipe do MobileMe depois do lançamento fracassado do serviço, em 2008:

De acordo com um participante da reunião, Jobs entrou, vestido em sua camisa preta com gola alta e calça jeans azul, apertou as mãos uma contra a outra, e fez uma pergunta simples: “Alguém pode me dizer o que o MobileMe deveria fazer?” Tendo recebido uma resposta satisfatória, ele continou: “Então por que caralhos ele não faz isso?”

Durante a meia hora seguinte, Jobs repreendeu a equipe. “Vocês mancharam a reputação da Apple”, disse ele. “Vocês deveriam se odiar por decepcionarem uns aos outros.” (…) Imediatamente, Jobs nomeou um novo executivo para comandar o grupo.

De certa forma, Jobs quer colocar o peso da Apple e do sucesso e reputação da empresa nas costas de cada funcionário. Toda a empresa é baseada neste tipo de responsabilidade clara. Eles até têm um termo, para que todos saibam quem é responsável pelo quê: “DRI”, que significa “Indivíduo Diretamente Responsável”. Esse desejo de sempre atribuir responsabilidades com clareza a determinadas pessoas, Jobs sempre conta a vice-presidentes que acabaram de assumir o cargo sobre a diferença entre um faxineiro e um vice-presidente:

O faxineiro pode explicar porque algo deu errado. Cargos seniores não podem. “Quando você é o faxineiro”, Jobs sempre diz a vice-presidentes novos, “os motivos importam.” Ele continua: “em algum momento entre o faxineiro e o CEO, os motivos param de importar.” Esse limite, ele disse, “é atravessado quando você se torna um VP.”

Ou seja, cargos altos simplesmente não têm desculpa se falharem. É uma leitura interessante ver como a Apple é administrada: como ela ainda parece uma startup, uma empresa nova; como há um grupinho dos top 100; como ela permanece ágil; como as grandes decisões que a Apple tomou, documentadas em estudos de caso, ajudam a formar futuros colaboradores, e muito, muito mais. A reportagem completa está na edição de 23 de maio de 2011 da revista Fortune. Você pode comprar a edição no iPad por US$4,99, ou comprar a reportagem para Kindle – e ler no app para Kindle do iOS, Android e computador – por US$2,99. [iTunes e Amazon via Fortune]