Os carros que dirigem sozinhos ainda estão a alguns anos de virarem realidade. Mas há muito trabalho a ser feito para prepará-los para o horário de pico, incluindo garantir que sejam ecologicamente corretos.

Um novo estudo ressalta a dificuldade dessa última parte, visto que quase um terço das pessoas escolheria um veículo autônomo como opção de transporte regular — e isso pode fazer com que as emissões aumentem à medida que a demanda por esse tipo de carro também. “Vimos que há muito interesse aqui, e esse interesse pode mascarar alguns impactos potenciais”, disse o pesquisador Wissam Kontar, da Universidade de Wisconsin-Madison.

Para entender como esse tipo de carro pode mudar nosso sistema de energia, Kontar e sua equipe avaliaram a preferência da população. Assim, eles desenvolveram um questionário que perguntou aos entrevistados suas preferências para se locomover pela cidade com base em quatro opções diferentes: um carro particular, um veículo autônomo de táxi operando como Uber e Lyft, um ônibus e uma bicicleta. Ao todo, foram 600 respondente que vivem em Wisconsin, nos Estados Unidos.

Na pesquisa, os participantes viram exemplos de diferentes viagens e receberam todos os tipos de informações com cada opção de transporte, incluindo tempo de espera, custo, tempo de caminhada até um ponto de embarque ou estação de ônibus e facilidade de estacionamento. As descobertas gerais foram muito boas para veículos autônomos. Nos cenários, a maioria das respostas foram divididas entre o uso de veículo pessoal (32%) e autônomo (31%). As bicicletas ganharam cerca de 21% das vezes, enquanto os ônibus obtiveram 16%.

Isso poderia significar um ar mais sujo e mais emissões de gases de efeito estufa para Madison porque mais veículos autônomos movidos a gás nas estradas e menos passageiros em ônibus aumentaria o uso de energia do transporte na cidade em quase 6%. Esse dado também se correlacionaria com um aumento de 5,7% nos gases de efeito estufa. Enquanto isso, as emissões de partículas nocivas, enxofre e óxido de nitrogênio de mais carros nas estradas também subiria entre cerca de 6% e 7%.

A solução aqui, ao que parece, seria garantir que todos os carros autônomos colocados nas estradas de Madison fossem elétricos. Mas Kontar e sua equipe também alertam que a eletrificação dos veículos precisa vir com uma reforma radical de nosso sistema elétrico. Wisconsin, observa o estudo, ainda gera mais de 40% de sua eletricidade a partir do carvão. Enquanto a eletrificação de veículos autônomos ajudaria a reduzir as emissões de mais carros na estrada e partículas nocivas ligadas a eles, carregar uma rede elétrica movida a combustível fóssil como a de Wisconsin com mais demanda poderia ter impactos adversos.

Assine a newsletter do Gizmodo

“Se você está gerando eletricidade a partir do carvão em vez de gerar eletricidade a partir do vento, os impactos ambientais são completamente diferentes”, disse Kontar.

Esta pesquisa e o estudo foram, por definição, bastante específicos para Madison. A popularidade dos veículos autônomos e as emissões associadas a eles podem variar com base em outras opções disponíveis para pessoas em outras cidades. Mas parece bastante claro que um carro sem motorista, barato e rápido, seria uma opção atraente para a maioria das pessoas, especialmente em outras cidades com menos infraestrutura para bicicletas, caminhadas ou transporte público. Agora é a hora de começar a pensar no que essa opção pode significar para o planeta no longo prazo.