Decidiram que não sabemos o bastante sobre o mar. Então 2.700 cientistas começaram o Censo da Vida Marinha, com a cooperação de museus, laboratórios e aquários em 80 países para aprender mais. Dez anos depois, eles terminaram… hoje.

O censo usou todo tipo imaginável de tecnologia pra cumprir o objetivo, de satélites, a submarinos tripulados e não-tripulados, a mergulhadores com câmeras, a sensores GPS e giroscópios presos nas costas das criaturas. Eles observaram um "tumulto de vida" em todo lugar, de praias aos céus acima dos mares às profundezas do oceano, onde vulcões e fissuras submersas quentes o suficiente para derreter chumbo ainda abrigavam ecossistemas. Eles descobriram 6.000 novas espécies, muitos deles surpreendentemente estranhos. E eles descobriram até alguns tipos de seres vivos que se acreditava estarem extintos. Mas o que é mais interessante para mim é como eles conseguiram rastrear vários tipos de peixe, seja em grandes cardumes, seja individualmente, através de milhares de quilômetros.

Os cientistas do censo, em dado momento, decidiram medir o fundo do mar usando sonares, mas descobriram que as leituras variavam demais. Eles perceberam que estavam vendo um cardume de milhões de arenques no Atlântico. Do tamanho de Manhattan!

Os cientistas também usaram tags acústicas e sensores no fundo do mar espalhados entre o Alasca e a Califórnia para registrar as migrações de 18 espécies a mais de 3.000km no oceano Pacífico, vendo cada truta passar pela rota de migração, uma a uma, algumas tão pequenas quanto uma banana.

Tudo isso foi registrado em uma base de dados gigantesca chamada OBIS, ou Sistema de Informação Biogeográfica do Oceano, que tem cerca de 30 milhões de entradas sobre espécies e onde elas existem.

O restante é resumido em um PDF de 64 páginas, que parece longo mas considerando a vasta quantidade de descobertas que o censo revelou, até parece pouco.

Também digno de nota é que, após 10 anos de estudo, o censo estima que ainda 20% do volume do mar  ainda não têm nenhum dado registrado. E apesar de terem contado diversos peixes e tudo o mais, 90% da biomassa do mundo é microscópica.

Ainda temos muito o que aprender, mas começamos a estudar e temos a tecnologia para progredir.

[Censo da Vida Marinha, banco de dados OBIS, e The Scuttlefish com uma coleção das criaturas mais interessantes descobertas pelo Censo]