“Salas de chat” ou “Bate-papo do UOL” são coisas dos primórdios da Internet que as pessoas nascidas nos anos 90 nem devem entender o que significa. Era basicamente uma forma de passar horas tentando seduzir uma “mulher” que na verdade era um moleque de 15 anos – como você. Mas a coisa já foi ainda mais deprimente para os solitários que recorriam à tecnologia: na década de 80, ao menos em Brasília, existia o Disque-Amizade, com basicamente a mesma função, só que de maneira analógica, conforme nos lembra este vídeo do Documento Especial.

A reportagem tenebrosa do programa da extinta Manchete só vale pelos primeiros 3 minutos, onde eles explicam o “serviço” do Disque-Amizade. Você ligava para um número e a operadora conectava várias linhas. Conectava no sentido físico, com mesa de ligações e tudo o mais. Ainda havia um “moderador”, que de tempos em tempos, como se vê, mandava o pessoal maneirar nos palavrões. Como eu sou de lá e dessa época, lembro também do Disque-piada, um telefone também da Telebrasília que você ligava para ouvir uma piada sem graça – e tinha de esperar até o dia seguinte para ouvir uma nova. Não havia Fuckyeahfunnythings, vídeos no Youtube ou Family Guy, apenas uma estatal com esse tipo de serviço para aplacar a solidão das pessoas com tempo demais, numa era pré-internet. E pessoas como este moderador com um trabalho ingrato.

Como nós evoluímos, não?