A Microsoft comprou o Skype por US$8,5 bilhões, e parecia que eles haviam ganho do Facebook e Google nas negociações. Mas ao que parece, o Google não queria o Skype. Nem um pouco, na verdade. Eles até se sabotaram para não ter que comprá-lo.

Quem conta o caso é o jornalista Steven Levy, que escreve para a Wired e que recentemente lançou o livro In The Plex, sobre a história do Google e a cultura da empresa. (Já contamos uma história do livro antes, sobre Bill Gates e o Gmail.)



Nos idos de 2009, os executivos do Google – inclusive o então CEO Eric Schmidt – estavam interessados em pegar o Skype das mãos do eBay, para supostamente complementar o Google Voice, que ainda não havia sido lançado. Mas Wesley Chan, gerente de produto do Google Voice, achou que seria uma má ideia. A força do Skype era em tecnologia peer-to-peer (P2P), que Chan chamou de tecnologia velha, e que não se encaixaria bem com o desejo do Google de dominar a nuvem. Foi aí que Chan “colocou as granadas” para descarrilhar as negociações.

De acordo com Chan, ele e outro aliado foram falar com Sergey Brin para convencê-lo de que comprar o Skype seria um grande erro. Eles então tiveram uma ideia para acabar com as negociações: em uma reunião com todos os altos executivos do Google, Chan iria elogiar o Skype, e então Brin iria questioná-lo sem dó, fazendo perguntas que ninguém poderia responder. A Wired diz que:

“[Sergey] olha pra mim e diz, ‘Por que eu iria querer esse risco? Nós temos uma equipe capaz de construir a operadora, nós temos os usuários, nós temos centenas de milhões de usuários do Gmail, por que precisamos ter o Skype?’ E nesse momento, Sergey levanta e diz, ‘Esta é a merda mais estúpida que eu já vi.’ E Eric levanta e sai da sala, e eu penso: então tá, acabaram as negociações.”

E pronto. Nada de Skype pro Google. Em vez disso, eles continuaram construindo o Google Voice, e a Microsoft gastou US$8,5 bilhões em dinheiro com o Skype ontem.

Esta história está no livro In The Plex, disponível na Amazon por US$17. [Wired]