No ataque incisivo que o ex-vice-presidente da Microsoft, Dick Brass, lançou em artigo no New York Times, ele disse como os projetos de tablet na divisão que ele comandava foram estrangulados até a morte por grupos concorrentes dentro da empresa. Então é interessante ver que as brigas internas aconteciam já há um bom tempo.

Primeiro, a Microsoft não deu a quantidade de engenheiros que Brass queria — só seis, em vez dos vinte que ele queria. (Mas ele conseguiu contratar dois caras do quase mítico Xerox PARC, onde nasceu a interface gráfica de usuário que inspirou o Macintosh.) Consequentemente, a equipe teve problemas como reconhecimento de escrita só funcionando às vezes, e uma interface complicada, de acordo com testes com usuários.

A BusinessWeek também relata que, nessa época, a equipe do Office na Microsoft queria focar nos próprios programas, mesmo que a divisão de tablets soubesse que ter programas prontos era algo chave. Bill Gates escolheu uma opção fraca: um pacote add-on com funções específicas para tablets. Isso parece corroborar as alegações de Dick Brass no artigo, que o vice-presidente do Office, na época, "recusou-se a modificar os populares programas do Office para funcionar adequadamente em um tablet". Ironicamente, a pessoa que não quis ajudar Brass aparentemente é Steven Sinofsky, presidente atual do Windows — o cara que deu uma virada na divisão e que nos trouxe o Windows 7.

Mas o problema não é que a Microsoft estragou os tablet PCs sete anos atrás, é que eles não resolveram os problemas com tablets ainda. [BusinessWeek]