A pior tragédia da história envolvendo um foguete na verdade ocorreu no solo, em 1960, quando os soviéticos estavam experimentando um perigoso combustível novo. Piers Bizony narra a história no seu livro que será lançado em breve, Como Construir a sua Própria Espaçonave:

No dia 3 de agosto de 1957, o míssil soviético R-7 Semyorka, chamado de “Pequeno Sete” pelos homens que trabalhavam nele, fez um vôo simulado de uma trajetória de ataque nuclear, para então tornar-se um lançador espacial apenas dois meses mais tarde, no dia 4 de outubro, ao lançar o Sputnik. Era então um grande triunfo internacional, mas em termos de mísseis, não necessariamente uma grande vantagem militar que a Rússia desejava.

O Semyorka usava querosene e oxigênio líquido (LOX). Quem em sã consciência quereria um míssil nuclear que levasse três ou quatro horas para preparar o LOX antes de você poder lançá-lo? Não o Exército Vermelho Soviético, com certeza. Assim, eles comissionaram um míssil ainda mais secreto, o R-16, que – em teoria – poderia ser abastecido e preparado muitos dias ou mesmo semanas antes de ser necessitado, sem nenhuma perda do oxidante, já que seus engenheiros haviam abandonado o querosene e o LOX supergelado, preferindo o ácido nítrico e hidrazina: combustíveis hipergólicos… uma combinação de combustível e oxidante que pode ser armazenado indefinidamente sob pressões e temperaturas normais.

Substâncias químicas hipergólicas também são bastante eficientes. Elas são capazes de ignição espontânea por contato mútuo e têm grande potência com baixo custo. É lógico que há um lado negativo nisso tudo. Substâncias hipergólicas estão entre as piores e mais tóxicas que existem no ramo de foguetes. Eu mencionei que elas podem ser armazenadas? Bom, mais ou menos. Elas são tão corrosivas que elas detonarão qualquer parte do seu foguete (ou do seu pessoal) que entrar em contato com o que não deveriam…

Em outubro de 1960, o R-16 foi içado de forma ereta para ser lançado em Baikonur, o equivalente russo ultrassecreto à Base de Alcântara, bem no meio dos desertos do Cazaquistão. E foi assim que teve início o maior desastre da história envolvendo foguetes.

Os combustíveis “armazenáveis” do R-16 não conseguiam ser armazenados. Eles eram ferozmente corrosivos e vazavam loucamente, se esvaindo por dezenas de juntas das tubulações e soldas dos tanques. No dia 23 de outubro, a ponte de lançamento ao redor estava apinhada de jovens técnicos tentando consertar uma batelada de problemas diferentes. Conforme a hora zero se aproximava, o foguete começou a gotejar ácido nítrico da sua base. A esta altura, o diretor de lançamento Mitrofan Nedelin deveria ter ordenado que toda a ponte fosse evacuada, mas ele parecia não se importar muito com os riscos. Ele mandou ainda mais gente para a área de lançamento imediatamente para ver se eles conseguiam apertar umas válvulas e deter os vazamentos para fazer com que o foguete fosse pro ar.

De repente, o foguete explodiu, instantaneamente matando todos na ponte de lançamento. Com nada para sustentá-lo, o estágio superior caiu ao chão, derramando combustível e chamas. Os novos anteparos de TARMAC e as pistas em torno da ponte derreteram com o calor e depois pegaram fogo. O pessoal da base precisava salvar suas próprias vidas, mas estavam aprisionados dentro do alcatrão viscoso que queimava ao redor deles. A conflagração se espalhou por milhares de metros, com uma onda de chamas tragando tudo e todos em seu caminho. Mais de 190 pessoas foram mortas, incluindo Nedelin, empoleirado na sua cadeira próxima à ponte de lançamento enquanto uma onda de substâncias químicas inflamadas varriam tudo através dele.

Do livro Como Construir a sua Própria Espaçonave de Piers Bizony, que sairá em agosto por 15 dólares na Amazon. Trecho extraído com permissão da Plume, uma impressão do Penguin Group.

R-16 Nedelin Disaster The aftermath Man on fire running away Firemen on the scene

EXTRAS

Vídeo do desastre:



Detalhes assombrosos e citações do evento compilados por Jacqueline Sly em um projeto da história espacial.