A nova busca do Google, o Instant, carrega automaticamente os resultados de busca enquanto você digita. Eu prefiro ficar cético se ele realmente salvará 50 cajilhões de horas por pessoas pelos milissegundos poupados. Seu verdadeiro uso chegará em breve: busca específica, móvel e de vídeos.

Parte da besteira inerente em fazer uma busca no Google Instant na web comum é por conta do tamanho e da heterogeneidade dos conjuntos de informações que você irá usar. O Google não tem ideia se você está procurando uma citação, um filme, um blog, um site do governo, ou um trecho de um texto que você lembrou ter visto em algum lugar há meses. Então ele cospe um amplo mar de resultados.

Agora imaginemos que nós possamos estreitar esse conjunto de informações. Imagine que eu não estou procurando cada rastro de texto na internet, mas por filmes ou seriados na nova Google TV.

No caso, quando eu começar a escrever o texto, o Google terá um ideia muito melhor do que eu procuro. Na verdade, ele poderia até entregar o que eu estou procurando mesmo sem eu saber ao certo o que eu busco.

A chave para a próxima geração de televisões provavelmente será a busca, e o principal problema é escrever o que se procura. Não é o seu laptop; as pessoas irão digitar textos em controles remotos e mini teclados em condições de luz horríveis. Tudo que uma empresa puder fazer para minimizar o número de toques e tornar o processo menos cansativo será um belo salto de usabilidade para os usuários.

Se a Google TV realmente for “uma tela para controlar tudo”, ela tem de resolver esse problema.

Suponha que eu esteja procurando um filme que vi há anos. Eu não consigo lembrar nada sobre ele, apenas que ele era um filme de ação e que talvez a palavra “China” esteja no título. O IMDB talvez possa me ajudar a descobrir o título e o ano, mas eu terei que clicar em cada um dos filmes, e clicar de novo para achar as frases e a sinopse, apenas para descobrir que no fim das contas esse não é o filme que eu procurava.

Ao invés disso, eu poderia digitar “C-h-i” no futuro sistema de busca do Google – vamos chamá-lo de Instant Movie Search – descartar todas as variações de “Chicago” e ir direto para “China”. Eu sei que não quero “Chinatown” nem “The China Syndrome”. Na barra lateral, eu percebo que posso estreitar a buscar clicando em “Ação/Aventura”. Perfeito. E aí está: “Big Trouble in Little China”. Ele me mostra uma pré-visualização do pôster, uma pequena sinopse e o elenco – antes mesmo de clicar no filme! Aí sim eu clico nele e o assisto.

Em vez de ficar fuçando e cavando de um lado para o outro em dezenas de páginas, eu digitei três caracteres e cliquei em apenas um link do menu. Eu não só achei o que procurara, como sabia que era aquilo com um alto grau de informações e dados antes mesmo de clicar nele – na verdade, antes mesmo de olhar para o título. Assim que eu vi o pôster com Kurt Russell e Kim Cattrall com o rabo do olho, eu sabia que esse era meu filme.

O Gmail já faz isso com os contatos, e é realmente algo que poupa tempo. Agora estenda esse conceito para outra meia dúzia de formas de busca específica: Google Books, Google Scholar, Froogle, Desktop, News, Reader, Apps. Imagine o sistema em todos os sites de busca específica do Google, entregando em segundos pré-visualizações de imagens e textos descritivos.

Nós já temos um método de busca análogo no mundo analógico da tecnologia – ficar pulando os canais na televisão ou girando a rodinha do rádio. As setas simples de mudança de canal na TV, no entanto, não consegue fazer distinções mais precisas para chegar aonde você quer, e o sintonizador dos rádios não pode entregar a mesma precisão. No entanto, ambos têm a virtude de exibir o que você está procurando durante o processo de busca. Os mecanismos de busca não podiam fazer isso antes. Agora eles podem.

Nesse momento, o Google Instant é apenas um jogo, o equivalente à brincadeira do logo alfanumérico do Google há poucos dias. As inovações reais do sistema ainda estão por vir.