O Twitter cresce em um ritmo que mal consegue sustentar. Mas também está perdendo mais usuários ativos do que gostaria de admitir. A revista NY Mag acompanhou os manda-chuvas da rede social para descobrir o que vem por aí.

Joe Hagan entrevistou o CEO Dick Costolo e o co-fundador e Vice-Presidente Jack Dorsey, junto com um punhado de outros envolvidos, até chegar ao núcleo do funcionamento da plataforma. Salpicadas entre historinhas e mitologias twitterísticas, encontram-se pistas sobre como o site irá evoluir. O plano do Twitter para o futuro se entrelaça com a sua base de usuários, que é composta por duas categorias primárias: a audiência — que lê e segue — e os talentos — aqueles que escrevem. O Twitter está encarando estes dois grupos de formas bem diferentes.

O Twitter vai se comunicar com a audiência usando o próprio produto. Eles querem facilitar o ato de encontrar os melhores e mais relevantes tweets das pessoas que eles seguem (e talvez mesmo daqueles que não seguem), mas sem perder a essência e a simplicidade do Twitter. E além de fazer o próprio site se comportar cada vez mais e melhor como uma entidade de curadoria, eles querem destacar melhor as pessoas que juntam e distribuem os melhores links e tweets que flutuam pela plataforma.

“Em um nível simplista, parece fácil”, diz Costolo, “porque nós poderíamos simplesmente ir atrás dos principais trending topics e do tweet que teve mais retweets nas últimas duas horas e mostrar isso às pessoas. Mas queremos ter a capacidade de trazer à superfície as descobertas tanto em nível global — ‘ei, está começando uma revolução na Tunísia’ — quanto em nível hiperlocal: ‘posso ver, pelo fato de estar no seu iPhone e ter compartilhado as suas coordenadas, que você está no estádio assistindo ao jogo de tal e tal time, então aqui estão algumas fotos que as pessoas que estão aí estão twittando agora mesmo’.”

O perigo de superestruturar a informação, diz ele, é que o usuário pare de experienciar o Twitter da forma original, como um lugar para pequenos diálogos em formato livre.

“Você perde aquele rugido da multidão”, diz Costolo. “Você olha para os resultados de busca vê que alguém marcou um gol, mas perde os atletas que segue, o Mario Batali, o Dennis Crowley do FourSquare… É um desafio de design e de engenharia.

Quanto ao usuários “talento”, Hagan diz que o Twitter está trabalhando nos bastidores para fazer com que as pessoas mais influentes dos EUA usem o seu produto. Eles passaram um ano namorando o Obama antes do seu evento “Twitter Town Hall”. Eles dão a grandes nomes da mídia, como David Carr, do NY Times, um espaço privilegiado no site, o que atrai novos seguidores e mantém o fluxo de tweets. Eles também montaram postos em Los Angeles e Washington DC para atrair as pessoas mais importantes do entreteimento e da política americana. Segundo pesquisadores citados no artigo, é estimado que um grupo de apenas 20.000 usuários seja responsáveis por 50% de todos os tweets.

E o Twitter está aprendendo que precisa cuidar dos seus talentos tão bem quanto qualquer empresa de entretenimento. Nas salas de planejamento do Twitter, os usuários mais prolíficos e com muitos seguidores são chamados “influenciadores”, ou “power users”, e eles estão no núcleo do serviço. Se o Twitter perder estes caras, ele se torna essencialmente um MySpace — um cemitério digital onde um dia houve uma festa.

O motivo do Twitter querer o James Franco twittando é que eles querem vender a audiência dele para os anunciantes. Se houve um jeito de enfiar um tweet sobre Starbucks na Francosfera, convidando as pessoas a comprarem um café, mas sem comprometer a intimidade dos seguidores com a celebridade, o Twitter ganha. Este modelo de publicidade ainda está na fase do sonho. Mas é um sonho e tanto.

“Um novo tipo de publicidade que pode ir a qualquer lugar, imediatamente, sem atrito”, diz Costolo. “Não é apenas uma propaganda no navegador ou no desktop, é algo que vai até um smartphone, até um telefone comum, até uma mensagem SMS, até uma TV”.

Propagandas! A luz dourada no fim do túnel para o Twitter. Apesar de não estarem em um pânico para se transformar em uma máquina de gerar dinheiro, os grandes chefes do site estão sempre cientes de maneiras possíveis de gerar alguma receita, e silenciosamente experimentando até que encontrem algo que funcione para todo mundo.

Uma das formas de manifestação dessas propagandas é o status de “promoted” dado a alguns tweets e hashtags. As celebridades podem usar isso para alavancar seus projetos recentes.

Este é o palco de ensaio para transformar o Twitter em uma empresa multibilionária. Um anunciante como o Starbucks ou a VW pode comprar o seu acesso a diferentes partes da experiência do Twitter, colocando a sua mensagem no topo nas hashtags mais twittadas, ou dentro da timeline de pessoas que já seguem a marca, têm uma amigo que segue, ou simplesmente twittam sobre um assunto relacionado. Logo haverá uma opção estilo self-service, que permitirá a agências menores se cadastrarem e entrarem na roda instantaneamente.

Se o Twitter conseguirá ou não transformar todo o seu potencial em algo completamente desenvolvido é algo que ainda veremos. Mas a matéria da NY Mag é definitivamente uma boa leitura para quem se interessar e conseguir se virar com o inglês. [NY Mag]