Na última década, a Sony se viu transformar de uma gigante da tecnologia em uma esforçada perdedora, com uma série de erros e pisos em falso levando a empresa a ficar para trás em cada um dos grandes mercados de eletrônicos avançados. Mas, onde tudo deu errado? O New York Times publicou um maravilhoso material no fim de semana sobre o declínio da empresa. Alguns trechos interessantes de lá:

“O que deu errado é um fábula de oportunidades perdidas e relações desastrosas. É também a história de uma empresa orgulhosa que não quis ou não foi capaz de se adaptar à realidade do mercado globalizado.

“O maior erro da Sony foi ter falhado em surfar algumas das maiores ondas de inovação tecnológica das últimas décadas: digitalização, uma guinada em direção ao software e a importância da Internet.

“Uma a uma, cada esfera onde a empresa competia, do hardware ao software às comunicações e ao conteúdo, virou uma bagunça devido a novas tecnologias disruptivas e imprevistas das rivais. E essas mudanças só destacaram os conflitos e rachas dentro da Sony.

“Uma área onde a Sony encontrou sucesso (e talvez a que mais cristalize a transição de empresa de eletrônicos de consumo para uma centrada em Internet e digital) é a dos video games. A Sony apresentou seu PlayStation 3 como um sistema integração de entretenimento que serve como um HUB para a sala de estar, conectando-o à Internet e TV. Mas a obsessão da Sony com hardware marcou a estratégia. Um atraso no desenvolvimento do player Blu-ray do console forçou a Sony a adiar seu lançamento. As vendas sofreram porque o PlayStation 3 custava muito mais do que modelos rivais da Nintendo e Microsoft. A Sony também foi lenta para entrar no mundo dos jogos online, dando uma vantagem inicial importante à Microsoft.

“Pública a internamente, o alto escalão da Sony demonstra uma profunda compreensão de muitos desses desafios fundamentais: a necessidade de diferentes setores da empresa trabalharem melhor juntos, para uma experiência mais unificada e inovadora. Mas os últimos líderes da Sony tiveram problemas para demonstrar pulso firme sobre toda a companhia. A Sony permanece dominada por engenheiros orgulhosos e ‘territorialistas’ que evitam a cooperação. Para muitos deles, o corte de custos é inimigo da criatividade — um legado dos fundadores da Sony, Sr. Morita e Masaru Ibuka, que tentaram promover uma cultura de independência. Mas os fundadores tiveram mais sucesso que os executivos recentes em exercer controle sobre os gerentes de divisões.”

Um bom exemplo é o do MP3 player: a Sony tinha a tecnologia e o background musical para lançar um dispositivo capaz de bater o iPod muito antes de a Apple lançar o seu. Nunca aconteceu. Outro caso famoso é a chegada com atraso da empresa ao mercado de telas finas. A Sony cometeu três grandes erros: focou em lançar hardware caro com tecnologia de ponta às custas de lançar produtos em tempo hábil e criar software; seu catálogo de produtos tornou-se estufado e confuso; e sua estratégia online é uma piada. Agora, a Sony é liderada por Kazuo Hirai, o homem por trás do PlayStation. Ele planeja diminuir o alcance da Sony e focar em dispositivos móveis, câmeras e filmadoras e jogos. Ele tem um trabalho e tanto para fazer. [New York Times. Foto: Steve.M/Flickr]