Seres humanos adoram reconhecimento de padrões: queremos, e talvez precisamos, acreditar que há um significado por trás de tudo na vida. O futuro é visto em xícaras de chá, superstições são colocadas em objetos aleatórios e, é claro, nos vemos em tudo ao nosso redor. Como no céu.

Shinseungback Kimyuonghun, um coletivo de Seul com foco em visão de computadores, tem muito do seu trabalho feito em forma de script, com resultados que beiram a poesia. O projeto mais recente, Cloud Face, usa o reconhecimento facial para capturar vapor que – por um breve momento – converge para formar a imagem de um rosto humano.

Falando por e-mail, os artistas explicaram que a ideia veio após eles tentaram capturar um rosto humano usando uma webcam presa a uma vara de pescar pendurada em uma janela. Eles conseguiram uma boa quantidade de imagens humanas – mas também capturaram árvores, grama, e objetos inanimados aleatórios que o software reconheceu como humano. “Eu olhei para o céu e pensei ‘E se eu usar esse erro para procurar rostos nas nuvens?'”, explicou Kim Yong Hun. “A descoberta do erro me levou a explorar a visão do computador em si.”

Então a dupla começou a criar um sistema que capturaria rostos nas nuvens automaticamente. Eles desenvolveram um script usando Processing e a biblioteca de detecção facial OpenCV, e colocaram uma DSLR apontada para o céu, que transmitia as imagens para um computador onde o programa estava rodando. Eles sentaram e esperaram a mágica acontecer:

Assim que abri meus olhos na manhã fui checar o céu para ver se tinha o padrão “próprio” para detecção facial… As faces usadas na composição do Cloud Face foram selecionadas manualmente. Isso significa que os rostos são considerados humanos pela visão do computador e pela nossa.

Eles acabaram capturando 150.000 imagens do céu – e o script detectou 1.000 toscos. Não é uma taxa ruim não é mesmo?

O Cloud Faces foi criado a partir de pesquisas de cientistas que se interessaram no motivo e forma que nosso cérebro é tão bom para encontrar rostos em coisas como nuvens, torradas e troncos de árvores. Um artigo de 2007 no The New York Times falou com vários cientistas trabalhando em reconhecimento facial, e ao menos um argumentou que isso representa uma parte crucial da evolução humana.

O Doutor Sinha do MIT diz que o reconhecimento de rosto é inato e aprendido, e representa uma adaptação evolutiva crítica que supera os efeitos colaterais como ver o Belzebu em um tecido amassado. “A informação do rosto é tão rica – não apenas sobre a identidade de outra pessoa, mas também o estado mental, saúde e outros fatores”, ele diz. “É extremamente benéfico para o cérebro se tornar bom para o reconhecimento facial e não ser tão rigoroso em seus critérios de inclusão. O custo de não reconhecer uma face é muito maior do que o de declarar que algo que não é um rosto se parece com um.”

Então antes de falar que o pessoal do Shinseungback Kimyonghun anda com a cabeça nas nuvens, considere isso: eles estão apenas avançando em um projeto da evolução humana – mesmo que com ajuda de um pequeno script.

ku-xlarge (1) ku-xlarge (2) ku-xlarge (3) ku-xlarge (4) ku-xlarge