Leroy Chiao voou no ônibus espacial três vezes, passou seis meses comandando a Estação Espacial Internacional (ISS) e registrou mais de 36 horas andando no espaço. Nesta semana, ele bloga para o Giz. Estamos animados.

Como a maioria das crianças em 1969, Leroy sentou-se encantado em sua sala de estar em Danville, Califórnia, em frente a um televisor preto-e-branco, assistindo a Neil Armstrong andar sobre a Lua. Tinha oito anos, a idade perfeita para decidir que um dia ele seria um astronauta.

E como isso se deu? Bem, seus títulos de alto nível em engenharia química, experiência desenvolvendo materiais aeroespaciais avançados, trabalho no laboratório Lawrence Livermore na Califórnia e mais de 2.500 horas como piloto com certificação de voo por instrumentos certamente formaram um convincente CV de astronauta. Mas tudo começou com um requerimento padrão para emprego federal, feito por Chiao em 1989. O mesmo usado por qualquer funcionário federal.

Na linha em branco para o cargo requisitado, ele escreveu “Astronauta”.

Sete meses depois, no verão de 1990, ele foi aceito com outros 22 na 13ª turma de astronautas dos EUA. Depois de treinar, dois anos mais tarde ele foi designado para a STS-65 no Columbia, que partiu em julho de 1994. Desde então, Chiao voou em mais duas missões de ônibus (STS-72 e STS-92) e comandou a Expedição 10 na Estação Espacial Internacional, passando mais de seis meses em órbita.

E como é ser uma das poucas pessoas que já passou tanto tempo no espaço?  O que isso faz com a sua vida? É isso que nós queremos saber.

“Há apenas cerca de 400 pessoas no mundo [que já estiveram no espaço], e menos ainda por longas durações”, contou-me Chiao. “Seis meses e meio é um monte de tempo para refletir, pensar sobre a vida e o que é importante. A melhor coisa que você pode fazer é simplesmente olhar para a Terra – ela é linda, e cada parte é diferente, bonita de sua própria maneira, e também a mesma. É bem profundo, como você pode imaginar. Isso lhe dá uma visão bem maior da vida – pequenas coisas que costumavam me incomodar parecem tão insignificantes.”

Mas além de tentar articular a grande imensidade disso tudo, Leroy irá blogar principalmente sobre coisas pequenas – as tarefas diárias como escovar os dentes, ir ao banheiro e fazer relatórios para o trabalho no frio vácuo espacial.

“Você não pode simular vida na microgravidade”, diz, “então quando você está lá em cima, a primeira coisa interessante é ver como a vida é, familiarizar-se com coisas como cortar as unhas, escovar os dentes. Como você faz isso?”

Essas são as questões a que Chiao responderá nesta semana, ajudando nossos cérebros de modestas almas ancoradas na terra a tentar entender como deve ser a vida no espaço. Mal posso esperar.

Fique ligado para a coluna Astroblogueiro com Leroy Chiao.

[Tire-me Deste Rochedo]