Certos corantes alimentares podem desempenhar um papel no desencadeamento dos sintomas da doença inflamatória intestinal (DII), sugere uma nova pesquisa feita em camundongos. O estudo descobriu que os corantes alimentares amarelo e vermelho podem desencadear inflamação intestinal crônica em camundongos, mas apenas se seus sistemas imunológicos já estiverem disfuncionais. As descobertas precisarão ser investigadas mais a fundo, mas um dia podem ter implicações importantes para o tratamento e o manejo de pacientes com DII, cujos sintomas são frequentemente desencadeados por alimentos e bebidas específicos.

Pessoas com DII desenvolvem episódios prolongados de inflamação intestinal, que podem levar a surtos recorrentes de sintomas como diarreia, febre e cólicas dolorosas. As causas exatas da DII ainda são um mistério, mas sabe-se que a genética e um sistema imunológico desequilibrado são os principais responsáveis ​​pelos sintomas da condição. Um dos componentes do sistema imunológico frequentemente ligado à DII são os níveis mais altos de uma proteína conhecida como interleucina-23 (IL-23), e vários tratamentos funcionam reduzindo essas taxas.

Pesquisadores da Escola de Medicina Icahn do Mount Sinai Hospital têm trabalhado com camundongos feitos para que eles tenham a mesma disfunção de IL-23 vista em alguns pacientes com DII. Mas sua pesquisa anterior mostrou que simplesmente ter IL-23 em excesso não era suficiente para os ratos começarem a desenvolver colite, ou inflamação crônica do cólon. Só depois de alimentá-los com uma certa dieta é que os ratos adoeceram. E depois de olhar para partes específicas dessa alimentação, os pesquisadores teorizaram que dois corantes alimentares comuns, Vermelho 40 e Amarelo 6, poderiam ter sido os ingredientes que causam a inflamação.

Seu novo estudo, publicado na Cell Metabolism na quinta-feira (13), parece mostrar que eles estavam certos. Quando alimentaram esses ratos com comida ou água que continha os corantes, eles desenvolveram colite. Mas nenhum efeito semelhante foi observado quando eles alimentaram ratos saudáveis ​​de controle com esses corantes ou quando os ratos desregulados foram alimentados com dietas sem qualquer um dos corantes.

“Nossas observações sugerem que os corantes alimentares podem ter um papel na geração de doenças humanas e podem ajudar a entender como a IL-23 influencia a doença”, disse ao Gizmodo o autor sênior Sergio Lira, pesquisador brasileiro do Instituto de Imunologia de Precisão na Icahn Mount Sinai, em um email. “No entanto, ainda há muito o que fazer para entender como exatamente esses fatores se cruzam e se eles são relevantes nas doenças humanas.”

No entanto, a DII é uma condição complexa e a IL-23 não é a única culpada por aumentar o risco de episódios de inflamação. Essas novas descobertas também precisam ser verificadas para termos certeza que há uma conexão verdadeira entre a DII e o consumo de corante alimentar. Mas, se essa ligação for confirmada, um dia isso poderá impactar o atendimento aos pacientes com a condição.

Algumas pessoas com DII relatam que certos alimentos ou bebidas as tornam mais propensas a sofrer crises. E se esses corantes alimentares forem confirmados como sendo um gatilho, isso pode afetar fortemente a dieta dessas pessoas, uma vez que o Vermelho 40 e o Amarelo 6 são encontrados em muitos produtos. Ambos também são comumente usados ​​em embalagens de medicamentos.

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Pelo menos por enquanto, Lira adverte que suas pesquisas não devem ser usadas para tomar decisões sobre o tratamento de pessoas com DII. “Nossos dados não têm implicações imediatas para o tratamento de pacientes com DII”, disse ele.

Até que mais evidências sejam coletadas, Lira afirma que os animais devem continuar sendo o foco principal dessa área de pesquisa. “Nosso laboratório concentra-se agora em duas questões básicas: como os ratos normais adquirem tolerância aos corantes alimentares e como a desregulação na expressão de IL-23 altera esse efeito?”