Atualização em 12/01/2020, às 14:24: 

Conforme confirmado na coletiva de imprensa que ocorreu nesta terça-feira (12), a porcentagem da eficácia global é de 50,38%, com eficácia de 77,96% nos casos leves. O Instituto Butantan ainda apresentou 100% de eficácia nos casos moderados a graves, mas o baixo número de pacientes neste caso (apenas 7, todos no grupo placebo) ainda torna essa dado inconclusivo.

Segundo Ricardo Palácios, diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, o efeito da vacina deve quebrar a pirâmide de escala de progressão dos casos, para que se evite ao máximo os casos graves que possam levar a hospitalização para um cenário que existam assintomáticos, muito leves a leves.

Abaixo, o texto originalmente publicado:

Duas pessoas que tiveram acesso ao estudo da CoronaVac disseram ao site UOL que, a eficácia geral da vacina Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, está abaixo de 60%, mas acima de 50%, conforme exigido pela Anvisa para aprovação do imunizante.

E a tal eficácia de 78% em casos leves e 100% em moderados e graves? É referente à eficácia clínica, não à geral. A eficácia clínica aponta o índice de prevenção da doença em pacientes com casos leves, moderados e graves de COVID-19; já a eficácia geral leva em conta todos os casos, incluindo os assintomáticos e ainda mais leves.

A eficácia geral é o padrão neste tipo de estudo, como explica o infectologista Esper Kallas ao Estadão.

A OMS utiliza uma escala de de 0 (pessoa não infectada) a 10 (óbito) para identificar a gravidade de doenças. De acordo com Kallas e com a reportagem do UOL, o índice de eficácia clínica, revelado pelo governo do estado de São Paulo, só considera do nível 3 para cima. Já a eficácia geral leva em consideração todos os níveis.

“O que dá para dizer com os dados que temos é que a eficácia de 78% é para aqueles casos leves que precisaram de alguma intervenção médica, classificados como nível 3 na escala da Organização Mundial da Saúde, e a de 100% é para casos moderados e graves, classificados a partir do nível 4. Gostaríamos de ver os dados também para o nível 2, que são aqueles infectados que evoluíram bem em casa e não precisaram de atendimento médico, mas que não foram incluídos nessa análise”, disse Kallas ao jornal paulista.

O índice geral, de 60%, ainda é eficaz para chegar a imunidade coletiva, conforme os padrões estipulados pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Ou seja, quem tomar a vacina, e mesmo assim for contaminado, terá apenas os sintomas mais leves.

Amanhã, como afirmou o governador de São Paulo João Dória (PSDB), em entrevista à rádio CBN, a partir do 12h45 (horário de Brasília), será anunciado o índice de eficácia geral em uma coletiva de imprensa. Também estarão presentes o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn e presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Na última sexta-feira (8) o Butantan realizou o pedido de uso emergencial da CoronaVac a Anvisa. Porém, o órgão pediu a submissão de novos documentos para complementar o material que havia sido enviado. Ontem, o instituto começou o envio da papelada pendente. O prazo para a Anvisa conceder ou negar o registro de emergência é de dez dias.

[UOL, Estadão]