O mundo alcançou dois marcos sombrios nesta quinta-feira (2). Agora, já foram registrados mais de 1 milhão de casos de COVID-19, a doença pandêmica causada por um coronavírus recém-descoberto. No início do dia, o número de mortos ultrapassou os 50 mil. E ambos os números subestimam o dano que o COVID-19 causou globalmente em apenas alguns meses.

De acordo com um rastreador desenvolvido por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, que coleta dados de agências de saúde locais e nacionais, relatos da mídia e outras fontes, havia 1,02 milhão de casos de COVID-19 às 16h24, horário de Brasília. Também havia pelo menos 51 mil mortes relatadas atribuídas ao COVID-19.

Embora a contagem oficial possa levar algum tempo para acompanhar esses números, é provável que ninguém questione estes dados. Na quarta-feira (1º), o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, afirmou que atingiríamos as duas marcas nos próximos dias. Segundo a OMS, casos de COVID-19 foram encontrados em mais de 200 países, territórios e municípios distintos — quase todos os existentes.

Acredita-se que o surto de COVID-19 tenha começado a sério no final de dezembro. A China divulgou casos publicamente pela primeira vez em 31 de dezembro. Mas é provável que os casos estivessem se espalhando no país já em novembro. Especialistas concordam que o vírus provavelmente foi transmitido de animais para seres humanos, embora uma origem clara ainda não tenha sido estabelecida.

Dentro de um mês, a China promulgou restrições rígidas de viagens para fora e para dentro do país, medida também tomada pelos EUA. Mas estudos sugeriram que o vírus já estava se espalhando pelo mundo naquela época.

Embora o COVID-19 tenha atingido todos os cantos do mundo, houve diferenças nas respostas dos países. Alguns, como Coreia do Sul e Cingapura, parecem ter sido capazes de reduzir rapidamente a propagação da doença através de testes intensivos de sua população, além do rastreamento e isolamento de casos.

A China também parece ter reprimido seu surto, mas seus próprios habitantes questionaram a precisão dos dados reportados, acusando autoridades de subestimar o número de pessoas que morreram por causa disso — a China registrou pouco mais de 3.200 mortes e 82 mil casos.

Um relatório de inteligência dos EUA também desconfia que a China subnotificava o número de pessoas infectadas e mortas por COVID-19, de acordo com uma matéria da Bloomberg na quarta-feira (1º). Nesta quinta-feira (2), o país negou as acusações e as classificou como uma “tentativa desprezível de colocar os interesses políticos acima da vida humana”.

Enquanto isso, nos EUA, a falta de testes acessíveis por meses dificultou as tentativas de conter surtos locais, muito menos de saber quantas pessoas realmente têm a doença. Mesmo assim, o país agora tem mais de 230 mil casos relatados — cerca do dobro do número da Itália, o segundo país com mais casos registrados.

Agora, acredita-se que algumas pessoas carregam o coronavírus que causa COVID-19 — chamado SARS-CoV-2 — sem terem os sintomas da doença. Mesmo assim, essas pessoas podem ser capazes de espalhar a infecção para outras pessoas.

Isso significa que o número real de casos provavelmente é muito maior do que o estimado. E a verdadeira taxa de fatalidade da doença é provavelmente menor que a atual documentada, que é de 3% a 5%. Mas mesmo fora da China, alguns especialistas estão começando a suspeitar que não estamos contando todas as mortes também.

Independentemente dos números exatos no momento, o certo é a devastação que o COVID-19 causou e continuará causando países afetados por ela. Na Itália e nos EUA, hospitais em áreas altamente afetadas foram inundados com novos casos de pneumonia grave, e houve falta de recursos médicos cruciais, como ventiladores.

As medidas drásticas necessárias para impedir que o vírus se espalhe ainda mais, como o fechamento de muitas empresas e escolas não essenciais, também levaram ao desemprego em massa em países como os EUA, colocando em risco muitos que agora se encontram sem cobertura de saúde.

De acordo com as autoridades de saúde dos EUA, estima-se cerca de 100 mil a 200 mil americanos vão morrer de COVID-19 antes que o surto termine. Mas mesmo essa projeção pressupõe que fazemos tudo o que podemos para desacelerá-la. Muitos especialistas esperam que demore pelo menos um ano para que essa pandemia termine, desde que uma vacina bem-sucedida seja desenvolvida o mais rápido possível.