O Tiger Lake da Intel pode ser o salto em gráficos integrados e poder de processamento de que a empresa precisava na última meia década.

Quando a Intel anunciou seus tão esperados processadores para notebooks Tiger Lake de 11ª geração no início deste mês, minha reação foi: “justo agora a Apple quis mudar para sua própria CPU”. O desempenho em edição de vídeo e em tarefas de produtividade de trabalho prometido definitivamente chamou minha atenção, mas foi a promessa de jogos em 1080p a 60 quadros por segundo que me pegou.

Para jogos com demanda gráfica, 60 fps a 1080p é uma grande conquista para uma GPU integrada. Passei pouco tempo com o mais recente processador móvel da Intel e, embora nem sempre tenha cumprido o prometido e 60 fps a 1080p nem sempre seja alcançado, o que ele pode fazer no geral é tão impressionante que provavelmente o torna um dos melhores processadores gráficos integrados existentes.

O Tiger Lake não está presente em laptops no momento, mas quando a Intel me ofereceu a chance de verificar e testar as promessas na prática, naturalmente disse que sim. Este não é um review da CPU móvel mais recente da Intel. Não tive tempo para fazer uma rodada completa de testes ou ver como a duração de bateria se compara a modelos anteriores e concorrentes, mas eu tive uma ideia decente do potencial — e ele é seriamente impressionante.

Para teste, a Intel me enviou um laptop de referência com o Core i7-1185G7. Não é um modelo finalizado de nenhum fabricante, e os resultados aqui podem mudar com base em alterações no design final do fabricante ou da própria Intel. Os processadores de 11ª geração da Intel para notebooks são um SoC (sistema em um chip), que integra a CPU, GPU e RAM soldadas em um único circuito.

Este Core i7 com gráficos Iris Xe possui 4 núcleos/8 threads e uma frequência máxima de 4,8 GHz. Em comparação, o Ryzen 7 4800U da AMD com gráficos Radeon integrados tem 8 núcleos/16 threads e um clock máximo de 4,2 GHz.

Na unidade de teste estavam pré-instalados os mesmos programas que foram apresentados durante o anúncio. São programas de edição de vídeo e foto. Os benchmarks usavam scripts automatizados para executar essas tarefas nos programas, por isso é uma medida mais precisa de como o desempenho seria realmente no mundo real do que um teste totalmente sintético. Não se preocupe, fiz meus próprios testes para complementar os sugeridos pela Intel. Mais sobre isso daqui a pouco.

Detalhando os testes fornecidos pela Intel:

  • o Adobe Premiere codificou um vídeo MP4 de 402 MB para um tamanho de um arquivo menor de 37,1 MB;
  • o One Compute Photo Workflow mediu quanto tempo leva para fazer a colorização e o aumento da escala de fotos para várias dimensões;
  • e o One Compute Productiviy Overflow usou programas como o Office 365 para medir quanto tempo leva para fazer certas tarefas.

Embora eu não tenha disponível um laptop comparável com processador Intel de 10ª geração, fui capaz de executar os mesmos scripts em um Ryzen 7 4800U com placa de vídeo Radeon integrada, que por acaso é o mesmo que a Intel usou para comparar em sua apresentação.

Isso provavelmente não é uma surpresa, mas a Intel bate facilmente o AMD nos benchmarks fornecidos pela Intel. É muito mais rápido para redimensionar fotos, taguear imagens e codificar vídeo, mas só um pouco mais rápido ao colorizar e exportar arquivos no Word e no Powerpoint.

Na marcação de fotos, a discrepância era tão grande entre a Intel e a AMD que não cabia em um gráfico corretamente. Para a análise foram usadas 1.000 fotos. No sistema da Intel levou 30 segundos; na AMD foram longos 110 segundos.

Mas lembre-se, esses são benchmarks escolhidos pela Intel para mostrar a potência do Tiger Lake. Por isso eu executei uma bateria de testes padrão que sempre executo com laptops que testo aqui no Gizmodo. E é aí que a Intel começa a perder sua liderança. Para ser justa, a CPU da Intel tem menos núcleos e threads do que a AMD, de modo que isso afeta a forma como ela lida com cargas de trabalho dependentes disso.

O Ryzen 7 4800U foi mais rápido que o Intel Core i7-1185G7 ao renderizar imagens no Blender. O Geekbench 4 apresentou pontuação parecida de núcleo único; a Intel tem a pontuação de núcleo único mais alta (por muito), e a AMD tem a pontuação de vários núcleos mais alta (por muito). Parece que neste área o cabo de guerra continua entre os dois fabricantes de chips por enquanto.

Mas a GPU integrada da AMD não é páreo para a Intel Iris Xe Graphics quando se trata de jogos. A Intel tinha cerca de 12-13 fps de vantagem sobre a AMD em jogos que exigem mais gráficos. Far Cry 5, um dos jogos mais tolerantes em nossos testes de benchmarks habituais, teve uma média de 35 frames por segundo em 1080p e baixa qualidade. Em 720p e baixa qualidade, o jogo teve uma média de 55 fps. O chip AMD simplesmente não conseguia acompanhar.

Crucialmente o desempenho da GPU integrada do Xe também é um grande salto sobre a atual UHD Graphics 630, da Intel, que tem média de 17 fps, e ainda um grande salto sobre a variante Intel Core i7-1065G7 Iris Plus Graphics de 25W, que tem uma média de 33 fps.

O Xe não tem 1080p a 60 fps, mas obter a mesma taxa de quadros em uma resolução mais alta do que os gráficos Iris da geração anterior é impressionante. Lembre-se: esta é uma GPU integrada! Não é algo que se espera que você pague caro, como as placas integradas da Nvidia em laptops de jogos. Este é o tipo de chip que você encontrará em um laptop Dell ou HP de US$ 1.000. Com ele, jogar, embora com qualidade inferior, se torna uma possibilidade real.

A Intel não disse que todos os games seriam jogáveis a 1080p com gráficos Iris Xe, mas parece que muito mais coisas podem rodar no sistema do que o mostrado em seu evento de imprensa em agosto de 2020. Alguns exemplos: PlayerUnknown’s, Battlegrounds, Grid, Mount & Blade II: Bannerlord, Doom Eternal e Battlefield V.

Fiz um teste com Doom e ele teve em média 45 fps em 1080p no modo de qualidade baixa. Em 720p e baixa, fica bem acima de 60 fps. Mais uma vez, uma grande melhoria em todo o espaço gráfico integrado. Embora não chegue no ideal de 1080p/60 fps, jogar Doom a 45 fps parecia e ser super tranquilo.

O Battlefield V oscilou entre 34-54 fps a 1080p com gráficos de baixa qualidade, mas a jogabilidade estava instável. Mudar a resolução para 720p estabilizou o jogo e aumentou a taxa de quadros para 64 fps. Life is Strange: Before the Storm, que é bem menos exigente graficamente, conseguiu surpreendentes 60 fps na configuração mais alta a 1080p. O Overwatch gerou 100 fps a 1080p.

A tela do laptop de referência da Intel tem apenas 14 polegadas, então jogar a 720p não parecia muito diferente de 1080p. Mesmo com meus óculos, não pude notar a diferença, mas por outro lado, estava correndo e atirando sem prestar muita atenção em muito detalhes.

Minha única preocupação neste momento é a rapidez com que o chassi esquenta. Os fabricantes precisarão isolar cuidadosamente seus laptops ou correrão o risco de acabar com um chassi que fica desconfortavelmente quente — quente demais para funcionar depois de cerca de 10-20 minutos.

Não vi a temperatura ficar acima dos 80 graus Celsius durante o jogo, e o calor é muito menos problemático se você estiver usando um laptop para digitar um documento do Word, mas é algo para se ter em mente.

No geral, estou impressionada com o que vi do processador de 11ª geração da Intel com gráficos Iris Xe. Definitivamente não vai substituir meu PC. Mas por suas recentes deficiências no setor de CPU para desktops, a Intel retirou todas as barreiras desta vez. Os laptops já estavam ficando mais interessantes com os processadores próprios da Apple e a AMD começando a conquistar uma fatia maior do mercado, e a Intel voltou para a briga. Estou ansiosa para colocar minhas mãos em alguns laptops com os chips da empresa.