Se você passou pela adolescência sem acne, considere-se uma pessoa de sorte: é estimado que 85% das pessoas nos EUA com idade entre 12 e 24 anos têm pelo menos acne leve. Mas se você está entre a maioria que teve acne, você provavelmente estou vários tipos de produtos para combater aquelas montanhas de pus, que, na verdade, acabavam causando novos problemas.

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Os criadores de um novo creme anti-acne dizem que o tratamento experimental deles limpa melhor espinhas sem nenhum efeito colateral agressivo. Ele funciona prevenindo a inflamação, diferente de tratamentos tradicionais que usam ácido salicílico e peróxido de benzoíla, que agem aumentando a quantidade de células mortas e matando a bactéria na sequência. Ambos os tratamentos, ácido salicílico e peróxido de benzoíla, funcionavam para a maioria das pessoas, mas eles causam vermelhidão, irritação e ressecamento da pele.

“Nós não estamos apenas sinalizando: ‘olha, funciona’”, disse Eduardo Perez, chefe científico da Signum Biosciences, a companhia por trás do creme. “Nós sabemos o mecanismo e demonstramos que funciona”

A acne é formada quando folículos pilosos se entopem em células mortas e com o sebo oleoso que nossa pele produz naturalmente. Uma bactéria chamada de Cutibacterium acnes digere o excesso de óleo e colidem com os receptores de células que desencadeiam a inflamação — é basicamente esse o mecanismo responsável por suas espinhas vermelhas e irritadas.

A maioria dos tratamentos combate a acne ao matar a bactéria, reduzindo a produção de óleo ou limpando os poros ao encorajar as células mortas da pele a se libertarem. Mas este novo composto, chamado SIG1459, não só mata a acne, mas também reduz a inflamação ao bloquear os receptores que a causam. Isso mantém a pele menos danificada.

“É animador ter outra medicação com um diferente tipo de ação”, disse Marc Glashofer, um dermatologista independente de Nova Jersey e e que não tem envolvimento com este novo creme, ao Gizmodo. “Não é só um retinóide com outro nome.”

“A acne é um processo inflamatório”, explicou Glashofer. “E se há uma medicação que reduz a inflamação enquanto também fornece propriedades antibacterianas, isso é incrível.”

Até o momento, o SIG 1459, não mostrou qualquer efeito colateral, então pode ser uma boa opção para quem sofre com os tratamentos tradicionais, como o peróxido de benzoíla ou antibióticos orais. Embora ambos possam ser efetivos para acabar com a acne, o primeiro frequentemente causa irritação e descamação da pele, enquanto o segundo pode alterar o microbioma, o que, às vezes, induz uma série de outros efeitos adversos à saúde.

Ainda que este novo creme não tenha apresentado efeitos colaterais, é necessário que sejam feitas mais pesquisas. “É um novo caminho, então não sabemos completamente os potenciais efeitos colaterais que podem ocorrer”, disse Glashofer. “Como tudo que você aplica, há riscos.”

Em um pequeno teste clínico publicado recentemente no Experimental Dermatology, o creme SIG1459 foi mais efetivo que o peróxido de benzoíla duas vezes ao dia. Por oito semanas, 35 pessoas usaram o creme SIG 1459 duas vezes ao dia, embora 15 pessoas aplicassem o peróxido de benzoíla duas vezes ao dia. Os usuários do SIG 1459 tiveram uma redução de acne de 77%, enquanto os outros que usavam o peróxido de benzoíla tiveram redução de 56%. Um grupo de 15 pessoas que receberam um placebo em forma de creme viram a acne piorar 30%.

Este é um estudo pequeno, de menos de 100 pessoas, e está longe de ser considerado conclusivo que o SIG 1459 pode substituir os tratamentos atuais. Perez disse que ele gostaria de repetir o experimento com grupos maiores e compará-los com outros tratamentos de acne para verificar a efetividade desse e outras medicações. Além disso, os participantes do teste usaram peróxido de benzoíla com concentração de 3%; Joel Cohen, um dermatologista e diretor da AboutSkin Dermatology no Colorado, disse ao Gizmodo que o peróxido de benzoíla é frequentemente usado em concentrações maiores do que a utilizada no estudo. No entanto, concentrações maiores tendem a irritar mais a pele.

E embora o SIG 1459 pareça efetivo na luta contra espinhas inflamadas — o que teoricamente também inclui acne hormonal e cística — não existe garantia de que funcionaria em todas as pessoas. Um participante do estudo não teve nenhuma melhoria na pele enquanto usava o novo produto. Perez também disse que a equipe ainda não tem certeza se o novo produto poderia combater outros problemas de pele, como rugas, hiperpigmentação, inflamação pós-espinha ou mesmo cravos.

Ainda assim, Cohen, que não tem relação com a Signum Biosciences, disse que o novo creme poderia ter um lugar entre as ferramentas de combate à acne. “Nós certamente damos boas vindas a novos produtos tópicos em nosso armamento na tentativa de tratar e combater a acne”, disse ao Gizmodo. “Nossa abordagem para a acne, como dermatologistas, envolve distintos produtos e regimes de tratamento.”

De fato, poderia ser um parceiro perfeito para um retinóide, disse Glashofer. Os retinóides aumentam a troca de células para desobstruir os polos e reduzir a produção de óleo, enquanto o SIG1459 pode atingir os ângulos antibacterianos e antiinflamatórios.

A Signum Biosciences não está planejando buscar a aprovação da FDA, órgão que regula medicamentos e alimentos nos EUA, o que provavelmente significa que o creme não será apresentado como um “tratamento de acne” (acne é considerada uma doença pela FDA). Perez disse que um creme SIG1459 deve ser disponibilizado no primeiro semestre de 2019.

[Experimental Dermatology via New Scientist]

Foto do topo por LBPics (Wikimedia Commons)