O traficante mexicano Joaquín Guzmán, mais conhecido como El Chapo, está sendo julgado em Nova York. No mês passado, foram apresentadas ao júri gravações telefônicas que mostram Chapo negociando um carregamento de seis toneladas de cocaína — e o grampo só foi possível porque o responsável pela comunicação de Guzmán entregou as chaves de criptografia ao FBI, diz uma matéria publicada no New York Times.

Segundo o jornal, Crístian Rodríguez, um especialista em TI colombiano, foi o responsável por desenvolver um sistema de comunicação VoIP (voz sobre IP) inteiramente criptografado para o cartel de Sinaloa. Em 2010, um agente do FBI disfarçado de mafioso russo se encontrou com Rodríguez em um hotel de Manhattan, fingindo estar interessado em comprar um sistema parecido.

• Polícia holandesa invade serviço de chat criptografado e acessa mais de 258 mil mensagens

Em questão de alguns meses, Rodríguez tomou uma decisão que colocou sua vida em risco e concordou em colaborar com as investigações. O especialista migrou o sistema de comunicação de Chapo do Canadá para a Holanda, alegando aos traficantes que era apenas uma medida técnica, e entregou as chaves de criptografia às autoridades americanas.

Chapo, então, foi grampeado entre abril de 2011 e janeiro de 2012. Mais de 1.500 ligações telefônicas foram gravadas durante esse período, com colaboração de autoridades holandesas. Os registros apresentados ao júri no mês passado são, segundo o New York Times, as evidências mais pesadas contra o traficante.

As conversas mostram Guzmán negociando seis toneladas de cocaína com as Farc e conseguindo abaixar o preço de US$ 2.100 para US$ 2.000 por quilo, recomendando que seus aliados peguem leve com a polícia e instruindo o pagamento de propinas ao comandante da polícia federal mexicana. A Vice News publicou em seu site trechos dessas conversas:

Testemunhando sobre o caso, o agente especial Stephen Marston, do FBI, disse que foi possível identificar a voz de Chapo comparando as gravações com a entrevista dada por ele ao ator Sean Penn e publicada pela revista Rolling Stone em outubro de 2015, meses depois de sua fuga da prisão. Em janeiro de 2016, o traficante foi preso novamente — pela terceira vez, no total — em seu esconderijo no norte de Sinaloa e deportado para os EUA, onde ele está até hoje.

[Reuters, New York Times, Rolling Stone]