A iniciativa vinha sendo ensaiada desde o ano passado e aconteceu mesmo: o presidente Nicolás Maduro lançou a criptomoeda venezuelana, chamada Petro, e iniciou sua pré-venda nesta terça-feira (20). Essa é uma tentativa de contornar o bloqueio financeiro imposto pelos Estados Unidos ao país sul-americano e driblar a inflação desenfreada – hoje, 10.000 bolívares equivalem a R$ 1,30.

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Durante a pré-venda, a moeda será vendida em negociações privadas com investidores institucionais. E de acordo com Maduro, os primeiros tokens já renderam US$ 735 milhões ao país, embora ele não tenha dado detalhes sobre os investimentos e não exista dados externos que corroborem esse número. A expectativa é que mês que vem a moeda se torne pública e aconteça o ICO (Initial Coin Offering).

No total, 100 milhões de Petros serão emitidos pelo governo venezuelano e a expectativa é arrecadar até US$ 6 bilhões. O Petro terá respaldo nas reservas de petróleo da Venezuela. Seu maior diferencial em relação a outras criptomoedas será a emissão por parte do país, como mencionado acima, e o fato de que estará atrelada a bens físicos.

O site oficial da moeda diz que ela será “aceita como forma de pagamento de impostos, taxas, contribuições e serviços públicos nacionais”.

De acordo com a reportagem da Reuters, especialistas em blockchain alertam que o Petro não deve atrair investimentos significativos e líderes da oposição afirmam que essa venda constitui uma emissão de dívida ilegal. O deputado Jorge Millán tuítou em janeiro que “anunciaram a emissão de uma suposta criptomoeda que é ilegal e inconstitucional”.

Além disso, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos advertiu que a iniciativa pode violar as sanções aplicadas no ano passado. Ou seja, o cenário não é muito positivo.

É por isso que a moeda pode sumir de uma hora para a outra. Com o posicionamento da oposição, se Nicolás Maduro não se reeleger em abril, é provável que o Petro se torne inválido. E ao contrário do que foi revelado por um artigo técnico do governo, o Petro não é um token da rede Ethereum.

A emissão de uma criptomoeda por um país, embora citado com destaque por Maduro, não é inédita. Desde 2015, o Equador, por exemplo, emite sua criptomoeda nacional, o Dinero Electrónico, como parte de uma reforma monetária no país.

[Reuters, The Verge]

Imagem do topo: Marcos Oliveira/Agência Senado