O primeiro teste usando o método de edição genética CRISPR em humanos para tratar uma doença pode começar a qualquer momento nos Estados Unidos. O procedimento, liderado pela Universidade de Pensilvânia, usará a ferramenta de edição genética para modificar células, com ao objetivo de atacar três diferentes tipos de câncer.

Se você não está habituado com CRISPR, o termo designa Clustered Regularly Interspeced Short Palindromic Repeats (Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas). Basicamente, isso quer dizer que é uma técnica de edição precisa de genoma, e que com ela é possível curar doenças genéticas.

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O MIT Tech Review notou que a Universidade da Pensilvânia nesta semana postou seu teste em uma lista de estudos clínicos em curso, um sinal de que o estudo está deve começar em breve. Um porta-voz da Penn Medicine confirmou ao Gizmodo que os preparos para o estudo estão no estágio final, embora não tenha especificado quando vão começar.

O estudo começará com 18 pacientes com mieloma (câncer nas células plasmáticas), sarcoma (câncer que atinge a mesoderme) e melanoma (câncer de pele). Os pesquisadores removerão células sanguíneas dos pacientes, e então usar CRISPR para tentar apagar dois genes em linfócitos T, que são conhecidos por serem os “soldados” do sistema imunológico que procuram e destroem ameaças dentro do nosso corpo. Os genes deletados poderiam reprogramar os linfócitos T para atacar o câncer. As células sanguíneas então serão injetadas novamente no paciente.

Será um pequeno experimento, porém muito significativo — o primeiro teste médico usando CRISPR em humanos foi feito por cientistas chineses em 2016, e um segundo teste foi conduzido no ano passado. Essa tentativa para combater os três tipos de câncer foi registrada no meio do ano passado, após ter recebido o ok regulatório necessário em 2016. Quem está bancando este teste é a Parker Institute for Cancer Immunotherapy, uma organização de caridade voltada ao estudo do câncer bancada por Sean Parker, um dos cofundadores do Napster e o primeiro presidente do Facebook.

Um segundo teste com CRISPR, conduzido pela CRISPR Therapeutics, está programado para começar ainda neste ano na Europa, em um tipo de terapia que combina edição genética e células tronco para tratar um distúrbio sanguíneo chamado beta-talasemia — pessoas com essa enfermidade tem quantidades menores de proteína que transportam o oxigênio.

[MIT Tech Review]