O Apple Watch tem sido um produto de nicho desde sua estreia, mas seus recursos de monitoramento de exercício e de saúde começaram a ter certo apelo com o público. Um uso que pouca gente pensou é que o acessório pode ser útil para a polícia rastrear os últimos passos de uma vítima de assassinato.

Apple Watch consegue detectar hipertensão e apneia do sono com precisão
Um cara modificou o Apple Watch para rodar jogos do Game Boy

De acordo com a Associated Press da Austrália, Myrna Nilsson, 57, foi assassinada em Adelaide em setembro de 2017. Vizinhos acharam a mulher em sua casa, com muitos ferimentos e amarrada com fitas adesivas. Na época, a sua nora, Caroline Nilsson, 26, disse para as autoridades que um grupo de homens invadiu a casa dela e a atacaram após uma briga de trânsito. A jovem disse que também foi amarrada pelos atacantes antes de eles irem embora.

Na última semana, a promotora Carmen Matteo mostrou evidências que Caroline Nilsson inventou a história e que deveria ser presa sob a acusação de assassinato e não ter direito a fiança.

De acordo com Carmen, um analista forense estudou os dados do Apple Watch da vítima e conseguiram determinar que o ataque seguido da morte ocorreu em um intervalo de 7 minutos. Houve grande registro de atividade seguido de uma calmaria, quando a vítima supostamente ficou inconsciente e seu coração parou. “A acusação acumula marcações de tempo e informação sobre níveis de energia, movimento e batimento cardíaco, chegando a conclusão que a falecida foi atacada por volta das 18h38 e certamente morreu por volta de 18h45”, disse a promotora em uma audiência.

Caroline Nilsson tinha testemunhado que sua sogra discutiu com os homens por cerca de 20 minutos enquanto ela estava amarrada. O fato é que Caroline usou seu próprio telefone para enviar uma mensagem para seu marido, por volta das 19h02 e na sequência fez uma compra no eBay por volta das 19h13. Esses fatos posteriormente acabaram tirando a credibilidade da versão dela.

O juiz concordou com a acusação e negou fiança para Caroline. Ela agora voltará a ser julgada em 13 de junho.

O caso tem semelhança com um ocorrido no ano passado quando forças policiais do Arkansas pediram para a Amazon se havia algum tipo de gravação em seu alto-falante inteligente que poderia ajudar a resolver um crime de assassinato. Num primeiro momento, a empresa hesitou, mas acabou cooperando com a investigação. Para defensores da privacidade, foi um lembrete que a Alexa pode ouvir as pessoas a todo tempo.

A coleta e transmissão de dados de saúde é algo relativamente novo e que certamente levanta algumas questões sobre privacidade. O que a Apple pode rastrear no momento é bem limitado. No entanto, a companhia já foi elogiada pelas suas práticas de proteção a privacidade. Nós tentamos entrar em contato com a Apple para saber se a companhia cooperou para a obtenção de dados do Apple Watch de Myrna Nilsson e vamos atualizar a história, caso a gente receba uma resposta.

[News.com.au via New York Post]

Foto do topo por Alex Cranz/Gizmodo