Nós não acreditamos que já se passaram 40 anos desde que a missão Viking, da NASA, conseguiu pousar um veículo espacial em Marte. Foi necessário um pouco menos tempo que isso para conseguirmos levar a sonda a Rover Curiosity, que chegou ao planeta vermelho em agosto de 2012.

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No entanto, a maioria dos dados da missão estão gravados em rolos de microfilme, que são raramente usados e não são facilmente acessíveis ao público — exceto em algumas bibliotecas públicas. Da mesma forma que os dados da Apollo 11 foram digitalizados para aumentar a acessibilidade, agora a equipe da NASA está fazendo o mesmo com a missão Viking, que tocou a superfície de Marte em julho de 1976.

David Williams, um cientista especializado em curadoria planetária que trabalha no NASA Space Science Data Coordinated Archive, recebeu uma ligação em 2000 com um pedido para acessar os dados. A chamada foi feita por Joseph Miller, um professor de farmacologia na American University of the Caribbean School, que solicitou informações sobre biologia para verificar se há sinais de vida em Marte, e ele achou. Após isso, Williams informou que a NASA passou a reconhecer a importância dessas informações:

“Lembro-me de segurar um microfilme em minhas mão pela primeira vez e pensar: ‘nós fizemos este experimento incrível, e foi deixado de lado’”, disse William. “Se alguma coisa acontecer com isso, nós perderíamos tudo para sempre. Eu não poderia emprestar o microfilme para alguém, pois isso é tudo que havia [sobre a missão].”

Como a sonda Curiosity continua nos enviando dados de Marte, e estamos na expectativa para o lançamento de um novo veículo em 2020, os dados da missão Viking podem se tornar valiosos. Os cientistas originais que analisaram os dados coletados tinham chegado a resultados diferentes de Miller, que concluiu em 2001 que o solo de Marte poderia conter vida.

A Curiosity utiliza um equipamento conhecido como SAM (Sample Analysis at Mars), que especificamente busca por sinais de compostos orgânicos, e tudo o que ele analisa foi resultado das experiência da missão Viking.


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Microfilmes com dados da missão Viking. Foto por David Williams

Digitalizar dados não é uma forma infalível de se assegurar que a informação não foi perdida com o tempo, mas é melhor manter os dados com os meios atuais de tecnologia que deixar em um formato que a maioria das pessoas não conseguem acessar e onde poderia se tornar obsoleta.

“Os dados da Viking ainda estão sendo utilizadas após 40 anos”, disse Danny Glavin, diretor-adjunto da Divisão de Exploração do Sistema Solar, da NASA. “Sei que o mesmo deve acontecer com a SAM. Isso deve ser feito para a comunidade ter acesso a esses dados. Assim cientistas daqui a 50 anos poderão analisar essas informações.”

[EurekAlert via NASA]

Imagem do topo: mostra dados de experimentos biológicos da missão Viking, que só podem ser vistos com microfilme. Crédito: David Williams