Depois de um ciclo de eleição cansativo e um acidente de carro doloroso, eu deletei o Twitter do meu celular no começo do ano passado e quis dar um tempo para o meu cérebro descansar um pouco. O sentimento de exaustão já estava se firmando com a chegada da época de feriados.

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E quando eu finalmente deletei o aplicativo, um colega do Twitter me alertou sobre algo bem óbvio, quase que profético: “Se assegure que não irá simplesmente trocar de vício“. Não troque um comportamento ruim por outro. É claro, não vou. Não faria isso!

Eu pensei que ia ser fácil. Consigo ignorar o Facebook na maioria dos dias. Fico entediado com o Snapchat. Fico tempo o suficiente no meu laptop para permanecer ativo no Twitter sem precisar checá-lo onde quer que eu vá.

Só que depois de abandonar a leitura passiva do feed Twitter, eu acabei indo para o Instagram. Ficar passando pelas fotos me parecia uma boa maneira de relaxar. De primeira, o serviço pareceu uma boa maneira de entreter meus olhos pela manhã – e uma luz forte para me acordar antes de sair da cama.

Mas aí os meus sentimentos pelo Instagram mudaram. A ansiedade que eu sentia depois de rolar por centenas de tweets passivamente durante uma hora – aquele sentimento de que eu estava trabalhando o tempo todo e nunca deixava outra coisa ocupar a minha mente – foi replicada pelo fluxo infinito de fotos.

E por que o Instagram? Eu estava com medo de perder algo? Ou efeito da ascensão e queda dos likes que injetam endorfina? Não tenho certeza.

Após meses abrindo o Instagram automaticamente após sentir um pouco de tédio (algo que eu nunca fiz antes de deletar o Twitter), a rede social de fotos se tornou um item obrigatório que eu precisava riscar da minha lista de tarefas. Em vez de cultivar o meu tédio enquanto esperava pelo trem, eu abria o app.

Olhando em retrospecto, era meio que inevitável. As empresas de tecnologia são muito boas em projetar serviços que consomem a maior quantidade de tempo possível. E é fácil para nos tornarmos dependentes desses apps. Afinal, é uma maneira fácil de nos distrair e deixar de processar qualquer coisa, simplesmente enfiando mais informação na cabeça. Tenho um sentimento de que não sou o único fazendo isso.

Mas podemos otimizar o que fazemos com o nosso tempo, assim como as empresas de tecnologia fazem. Podemos sair para caminhar sem nossos celulares ou ler um livro de papel e agir como se não estivéssemos com abstinência.

Podemos até mesmo continuar usando nossos celulares – não temos escolha, certo? – e abandonar proativamente alguns dos serviços que não nos fazem sentir bem por quaisquer motivos. Não precisa ser um negócio tão complicado ou limitador. Mas é bom pelo menos dar uma pausa com os aplicativos que consomem muito do nosso tempo e não oferecem um retorno bom o suficiente.

Então, conta aí: quais apps você deletou nos últimos tempos? E quais apps você gostaria de deletar mais ainda não o fez? Suas mãos ficam doendo de tanto usar o celular? Contem suas histórias nos comentários.