Em um dramático avanço, a fenda gigante na plataforma de gelo Larsen C cresceu mais 17 km desde a semana passada, e a ponta principal da rachadura está agora excepcionalmente próxima do oceano. Agora existe muito pouco a se fazer para evitar um colapso completo, evento que deverá produzir um dos maiores icebergs já registrados na história.

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Conforme documentado por cientistas do Project MIDAS, apenas 13 km separam agora a ponta principal da rachadura de 141,6 km de comprimento da frente da geleira. Entre 25 e 31 de maio, a fenda cresceu mais 17 km, marcando seu maior avanço desde janeiro. Além disso, a fenda tomou uma direção afiada rumo ao oceano, rompendo uma zona de gelo de “sutura” macia próxima à Península Cole. Como apontado pelo Project MIDAS, “parece haver muito pouco a se fazer para evitar que o iceberg se solte completamente”.

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Cientistas têm monitorado a rachadura na Larsen C há vários anos, mas a fenda passou por um grande surto de crescimento em dezembro passado, quando se alongou por 20 km. A rachadura de 91,4 metros de largura avançou mais 10 km em janeiro, e, no início desse mês, uma segunda rachadura apareceu na borda principal. É a ponta dessa segunda rachadura que agora está a caminho do oceano.

Quando se separar, a plataforma de gelo Larsen C vai perder mais de 10% de sua área total de superfície. O iceberg resultante da separação terá uma área de cerca de 6.000 km² e 350 metros de espessura. Se a plataforma se separar sem rachar, será do tamanho de Trinidad e Tobago, o que a coloca entre os maiores icebergs já registrados.

Em 2000, um pedaço de gelo de 11.000 km² chamado B-15 surgiu da plataforma de gelo Ross, da Antártica, e, em 1998, um iceberg de 6.900 km² chamado A-38 se separou da plataforma Filchner-Ronne. Embora eventos de separação sejam um processo natural das plataformas de gelo, os grandes como esse são uma vista dramática de se observar.

[Project MIDAS]

Imagem do topo: John Sonntag/IceBridge/NASA Goddard Space Flight Center