Um detetive famoso no mundo da arte por encontrar obras que todos achavam estarem perdidas ou destruídas acaba de fazer uma de suas maiores descobertas — um mosaico bizantino de São Marcos que havia sido roubado de uma igreja no Chipre depois da invasão turca de 1974.

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Arthur Brand é um historiador da arte holandês que também trabalha como investigador de crimes relacionados à arte. Ele supostamente recuperou mais de 200 obras, segundo a CNN. Suas descobertas vão desde pinturas surrealistas a uma cópia do Evangelho de Judas, passando por trabalhos roubados pelos nazistas.

Em 2015, Brand recuperou duas esculturas de cavalos feitas por Josef Thorak que ficavam do lado de fora do Palácio do Reichstag de Adolph Hitler. Segundo o Independent, Brand teria usado imagens de satélite, documentos de arquivo e informantes militares para descobrir a localização e a autenticidade das esculturas, que todos pensavam terem sido perdidas na Batalha de Berlim. Então, ele teria criado uma persona falsa de comprador de arte de Dallas, para conseguir mais informações para que pudesse alertar as autoridades alemãs.

Nos últimos três anos, aproximadamente, ele tem caçado um mosaico de 1.600 anos que, agora, ele acaba de retornar para o Chipre, na semana passada.

Segundo a Agence France-Presse, Brand começou a procurar esse mosaico quando um comerciante de arte de Londres lhe indicou que a peça estava em Mônaco. Brand disse à agência que usou vários intermediários — muitos na cena de arte underground — para determinar o apartamento em que a obra estava localizada.

Brand escreveu em seu site que o proprietário da obra de arte (que deseja permanecer anônimo) a herdou de seu pai, que supostamente não sabia que ela havia sido roubada quando a comprou na década de 1970.

“Ela estava em posse de uma família britânica, que comprou o mosaico de boa fé há mais de quatro décadas”, disse Brand à AFP. “Eles ficaram horrorizados quando descobriram que era, na verdade, um tesouro de arte de valor inestimável, roubado da Igreja Kanakaria após a invasão turca.”

Depois de o proprietário ser contatado por Brand, eles concordaram em devolver o mosaico ao “povo do Chipre” em troca de um pagamento para cobrir o custo de armazenamento e restauração.

Brand disse à AFP que encontrar o mosaico foi um dos “maiores momentos” de sua vida.

Acredita-se que o mosaico valha € 10 milhões, de acordo com a agência de notícias. Brand o retornou à embaixada do Chipre na Holanda em 16 de novembro. A peça chegou ao Chipre dois dias depois, no domingo.

Brand acredita que esse mosaico seja uma das últimas obras roubadas da igreja do Chipre durante a invasão turca que ainda não haviam sido retornadas.

[Agence France-Presse]