A série WandaVision, a primeira a trazer uma expansão e ligação direta com o Universo Cinematográfico Marvel (MCU), estreou no dia 15 de janeiro no serviço de streaming Disney+. Com um episódio novo lançado toda sexta-feira, acompanhamos o casal Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate e Visão após os acontecimentos do filme Vingadores: Ultimato, em uma narrativa que, a princípio, se inspira nas sitcoms transmitidas desde a década de 50. 

Além das obras cinematográficas, existem alguns quadrinhos que poderão te ajudar a entender melhor algumas referências. Destacamos Visão (2016); Dinastia M (2005); Vingadores – A Queda (2004-2005); Visão e Feiticeira Escarlate: Dia das Bruxas (1982); A busca pelo Visão! (1989)  e Jovens Vingadores: A Cruzada das Crianças (2010).

Nos três primeiros episódios, percebemos que Wanda está o sonho de ter uma vida feliz ao lado de seu amado androide. Entretanto, nada ali parece real. A Feiticeira Escarlate tem poderes de modificar a realidade e não sabemos o que foi criado por ela. 

Mas além de controlar a realidade, Wanda tem outros poderes como telecinese (capacidade de mover objetos e pessoas através do poder de sua mente) e ilusionismo. Se você está curtindo a temática, indico outras obras da ficção científica que podem te interessar. 

A Curva dos Sonhos — Ursula K. Le Guin (1971)

O livro trabalha com a mudança de acontecimentos reais a partir dos sonhos de George Orr, um cidadão simples que aparentemente sofria de uma forte enxaqueca e a tratava com o uso de medicamentos proibidos. É interessante a maneira como a autora trabalha alguns conceitos antropológicos, como alteridade, além de questões com maior profundidade de discussão, a exemplo das relações com outras etnias e culturas, com base nas escolhas feitas pelo personagem e o psiquiatra responsável por ajudá-lo no tratamento. Assim como em WandaVision, cada ação trará uma consequência que afetará muito além do mundo criado. 

Fundação – Isaac Asimov (1942-1993)

É considerada uma das maiores obras da ficção científica, em especial os três títulos iniciais. Porém, foi no livro Fundação e Império (1952), que tivemos maior conhecimento sobre o vilão “O Mulo”, que utiliza seus poderes de manipulação mental, similar ao feito de Wanda no filme Vingadores: Era de Ultron, para atingir suas vitórias, fazendo com que muitos de seus inimigos se tornem aliados, desafiando os propósitos estabelecidos por Hari Seldon e sua Fundação.

O Cérebro Assassino – Curt Siodmak (1954)

Excêntrico, o livro possui elementos que se equilibram entre terror, literatura policial e ficção científica. Na história, um cérebro é mantido vivo por um cientista e, mesmo assim, consegue controlar vários indivíduos com contato telepático, fazendo com que realizem ações que não desejam. Uma adaptação para o cinema de baixo orçamento foi lançada em 1953, com direção de Felix Feist, sendo a mais próxima do original de Siodmak. 

Matéria Escura – Blacke Crouch (2014)

Apesar dos muitos estudos e explorações sobre a teoria dos múltiplos universos relacionados a física quântica, explorado pelo astrofísico britânico Stephen Hawking (1942-2018), na ficção, o autor americano Blake Crouch, se permitiu criar uma história interessante sobre a mudança de realidade que o personagem Jason Dessen passa, especialmente quando a vida que ele conheceu, se torna aquela que um dia ambicionou ter como certa. Nos faz refletir nas infinitas possibilidades de escolhas que podemos ter e como todas elas refletem em nossos desejos. 

A incendiária – Stephen King (1980)

Aclamado pela crítica e proclamado “o mestre do terror”, Stephen King criou seu livro com base em poderes mentais superdesenvolvidos por meio de experiências secretas do governo com uma droga. Os seus personagens principais, Andrew McGee, Victoria Tomlinson e Charlie, são aqueles que possuem as habilidades psíquicas, sendo vistos como potenciais armas letais. O controle exercido sobre eles pela organização governamental chamada A Oficina, remete a S.W.O.R.D (Departamento de Observação e Resposta de Mundo Senciente) que está sendo explorada em WandaVision, que apareceu pela primeira vez em Astonishing X-Men # 6, de 2004. 

Série Patternist – Octavia Butler  (1977-1984)

Um dos nomes de mais prestígio do afrofuturismo, Octavia E. Butler foi visionária ao abordar diversos contextos socioculturais em suas obras, como em Kindred: Laços de Sangue, ao fazer sua personagem principal voltar no tempo, no exato período da escravidão de seus ancestrais. Contudo, a recomendação da vez é a série Patternist, que vai ganhar adaptação pela produtora JuVee Productions, empresa de Viola Davis e seu marido, Julius Tennon. No primeiro livro, Wild Seed (1980), existem seres imortais (Anjanwu e Doro) que lutam ao longo de séculos para conviverem no mesmo mundo, mesmo que um deles esteja criando uma rede de super-humanos telepatas com outras habilidades que os tornam incomuns e extremamente voláteis ao serem expostos a discursos e situações autoritários e tóxicas. A história ainda traz muito conhecimento sobre a cultura nigeriana. 

Fugindo do Caos – Poul Anderson (1961)

Para quem gosta de encontrar iguarias em sebos, tem alguns títulos mais antigos que também usam os mesmos artifícios, mas sempre com alguma conexão com eventos factuais, como Fugindo do Caos, que inclui uma visão de mundo influenciada pela Guerra Fria. Originalmente foi publicado na revista Astounding Science Fiction em 1947, mas depois foi transformado em um livro. Outras indicações: Sentinelas do Universo de Eric Frank Russell; As Crisálidas de John Wyndham e Além do Humano de Theodore Sturgeon.