A presidenta Dilma Rousseff (PT) declarou que o Uber “tira os taxistas do emprego” durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quarta-feira (2).

Rousseff classifica o aplicativo de transporte particular “uma polêmica” que “tira emprego de muitas pessoas”, segundo informações da Folha de S. Paulo. A presidenta, no entanto, reconhece que ele representa um avanço tecnológico que vem trazendo mudança em todo o mundo e que tais evoluções fazem parte da humanidade. “Meu avô era seleiro, você imagina o que aconteceu com o emprego dele quando apareceram os carros. A vida é assim”, disse à Folha.

Ainda segundo a presidenta, a decisão se aplicativo deve ou não funcionar no país deve partir de cada cidade e estado. “Não é a União que decide isso”, afirma.

Rio

As afirmações de Dilma surgem um dia depois de Eduardo Paes (PMDB), prefeito do Rio de Janeiro, declarar estar aberto para o diálogo com os representantes do Uber. De acordo com informações do G1, o prefeito está disposto a conversar e afirma que o Rio de Janeiro não bane o avanço tecnológico:

“Diálogo tenho que dizer que está sempre aberto. A Prefeitura conversa sempre com todo mundo e eu tô completamente aberto para conversar com o Uber. O Rio não bane tecnologia e avanço da tecnologia. A cidade acabou de receber um prêmio de cidade mais tecnológica do Brasil. A gente se utiliza da tecnologia. A Uber só não pode se achar tão auto centrada assim e achar que eles são a representação da tecnologia. É uma plataforma inteligente que eu vou até copiar nos táxis da cidade”.

Na segunda-feira (31), o Uber publicou uma carta aberta para Paes, pedindo que o prefeito não sancione o Projeto de Lei 122/15, que aplicará multas de até R$ 2.000 para quem for pego transportando passageiros sem o alvará da prefeitura, o que, basicamente, proibiria o funcionamento do aplicativo no Rio.

De acordo com a carta, o projeto “privilegia uma categoria, colocando em segundo plano a população” e os vereadores demonstraram “descaso com o processo democrático”, já que toda a votação foi feita de forma isolada, ignorando pedidos de audiência pública do Uber e uma petição com mais de 8.500 assinaturas.

O Projeto de Lei, que já foi votado e aprovado pela segunda vez no fim de agosto, na Câmara dos Vereadores, está agora nas mãos do prefeito, que decidirá aprová-lo ou vetá-lo. O Uber termina a carta com um pedido para Paes:

Temos apenas um pedido: para que ele não permita que a tecnologia e a inovação sejam banidas do Rio de Janeiro, como fez a Câmara Municipal, sem antes ouvir a sociedade.

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[Folha, G1, Uber]

Foto de capa: Lula Marques/ Agência PT