As temperaturas globais não são a única coisa aumentando mais rápido do que qualquer um pode lembrar. O mesmo vale para a concentração de CO2 na atmosfera, segundo o mais recente relatório do Observatório do Clima Mauna Loa, no Havaí. É quase como se os dois fenômenos estivessem relacionados?

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Entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016, a concentração de carbono na atmosfera em Mauna Loa – ponto de referência há tempos para níveis globais de CO2 – aumentou 3,76 partes por milhão. Este é o maior aumento em um período de 12 meses desde que a famosa Curva de Keeling começou em 1958.

O recorde anterior para um aumento de CO2 em doze meses havia sido em 1997-1998, quando as concentrações de carbono na atmosfera aumentaram 2,82 ppm. Esse foi também o único período na história recente com um El Niño tão forte quanto o que atingiu o mundo recentemente.

Em 2013, a concentração global de CO2 atmosférico subiu acima de 400 ppm pela primeira vez em cerca de três milhões de anos. Desde então, estamos chegando ao marco de 400 ppm mais cedo a cada ano que passa.

crescimento anual co2 mauna loa (1)

Concentração média mensal de CO2 em Mauna Loa desde 1958. A linha vermelha corresponde aos dados mensais; a linha preta retira a sazonalidade dos dados. Crédito: NOAA

Além disso, dados mais recentes do órgão americano NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional) revela que os EUA passaram pelo inverno mais quente dos últimos 122 anos, quando começou a série histórica.

A temperatura média nos EUA entre dezembro-fevereiro foi de 2,7°C, superando o recorde anterior de 2,5°C em 1999/2000; a média do século XX é de 0,1°C. O mês excepcionalmente quente de dezembro impulsionou para cima a temperatura média do inverno nos EUA.

A temperatura de fevereiro para os EUA foi de 4,2°C – o sétimo mais quente da história, e o mais quente desde 2000. A média do século XX foi de 1°C.

Esse é mais um em uma sequência de recordes de temperatura: o país também passou pelo verão mais quente, e pelo ano mais quente.

É quase como se o nosso planeta estivesse preso em um ciclo terrível de aquecimento gradual, induzido pelos humanos, que está lentamente destruindo nossa camada de ozônio, secando os nossos campos, e pondo em risco o mundo como o conhecemos.

[ESLR via New Scientist; NOAA]

Foto por Señor Codo/Flickr