O diretor da NASA, Jim Bridenstine, declarou Plutão é um planeta novamente em um vídeo esta semana. Suponho que Bridenstine estava brincando, já que há alguém rindo ao fundo, e acho que vejo um sorriso no rosto dele. Mas agora é o momento ideal para discutir a complicada questão sobre Plutão ser um planeta ou não.

Plutão é um planeta. Plutão também não é um planeta. A palavra “planeta” é de fato um conceito ultrapassado incapaz de capturar a complexidade do universo.

Um planeta inicialmente se referia a qualquer coisa que vagava pelo céu, incluindo os cometas, o Sol e a Lua. À medida que os cientistas olhavam mais de perto os objetos no céu, eles perceberam que a Terra orbita o Sol e que os outros objetos no sistema solar poderiam receber outras classificações. O conceito de planeta ganhou um tipo de definição “você vai reconhecer se vir um” – Mercúrio, Vênus, Terra, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são obviamente planetas. A Lua não seria um planeta, porque é uma lua. Desde então, atribuímos importância a esses planetas nomeados e nos identificamos fortemente com eles.

Quando Clyde Tombaugh viu Plutão em 1930, ele viu um ponto vagando pelo céu. Por definição, ele estava olhando para um planeta.

Mas, geralmente, quanto mais você questiona uma categoria, menos definida ela se torna. Em 1992, os cientistas David Jewitt e Jane Luu descobriram um objeto no então teorizado Cinturão de Kuiper, que fica depois de Netuno, chamado Albion. Mais tarde, foram descobertos Eris, Makemake e Haumea, e os pesquisadores logo perceberam que havia um monte de objetos semelhantes a Plutão no sistema solar externo. Eris era especialmente problemática, pois tem uma massa maior que Plutão. A questão agora era: nós promovemos esses grandes objetos do cinturão de Kuiper a planetas ou rebaixamos Plutão?

Em 2006, a União Astronômica Internacional escolheu a opção dois, definindo um conjunto insatisfatório de critérios para um planeta. Os planetas devem ser redondos devido à sua própria gravidade, devem orbitar o Sol e devem “limpar sua vizinhança”, uma frase não científica que basicamente significa que eles devem ser o corpo gravitacional dominante em sua órbita. Plutão e Eris receberam a designação de “planeta anão”, já que não “limpavam sua vizinhança”. Isso meio que faz sentido. Olhe Plutão e o objeto do cinturão de Kuiper Charon juntos, e você verá que Charon não orbita Plutão; os dois orbitam um ponto entre eles.

Desde então, tem sido difícil para as pessoas aceitarem o rebaixamento de Plutão – o que faz sentido, porque amamos nossos planetas. Além disso, a cara missão New Horizons da NASA para Plutão havia acabado de ser lançada em 2006, e visitar um planeta anão quando você pensou que estava visitando um planeta é semelhante a cientistas declarando alguma outra montanha como a mais alta a meio caminho da sua escalada ao Monte Everest.

Dois anos atrás, cientistas, incluindo o investigador principal da New Horizon e defensor de Plutão Alan Stern, propuseram basicamente promover cada objeto redondo menor que uma estrela a planeta. Essa definição também não funciona, a propósito, porque há muitos objetos que se estendem na linha entre estrela e planeta.

Este debate não é objetivo. Hoje, a palavra é mais importante para astrólogos, humanos nostálgicos e universidades e agências como a NASA, cujo financiamento depende da definição da palavra. Nem Plutão, nem o restante dos objetos no sistema solar, nem as leis da física ouviram falar de Jim Bridenstine, da NASA, de Alan Stern ou de qualquer humano, a propósito.

Plutão, sem dúvida, se encaixa na definição antiga de planetas. Mas, à medida que aprendemos mais sobre planetas, percebemos que ele simplesmente não pertence à mesma categoria que as outras oito coisas que chamamos de “planeta”. O problema não está em Plutão. O problema é que atribuímos muito peso ao termo datado, e a linguagem não evoluiu tão rápido quanto a nossa compreensão do universo.

Você continuará vendo cientistas, malucos e artigos de notícias debaterem se Plutão é planeta. Mas, na realidade, ele é uma das muitas massas geladas grandes, redondas e interessantes localizadas depois de Netuno…e é isso. A realidade não se encaixa satisfatoriamente em nossos compartimentos semânticos.