O Dr. Raymond Soneira, da DisplayMate, colocou o iPhone 4, o Samsung Galaxy S, o Nexus One e o Motorola Droid (nosso Milestone) cara a cara para determinar qual deles tem uma tela realmente "super".

Introdução

Um elemento importante para o sucesso de qualquer smartphone ou aparelho portátil é a qualidade e desempenho da sua tela. Existem diversos artigos comparando vários displays e tecnologias LCD e OLED, mas a maioria simplesmente faz julgamentos superficiais como "a tela é estonteante", com pouca preocupação em tentar uma avaliação e comparação precisa e objetiva.

Este artigo compara objetivamente o desempenho das telas LCD e OLED de cinco populares smartphones, baseado em extensivas medições científicas em laboratório, assim como testes e comparações visuais e avaliações incisivas, que estão organizadas e resumidas nesta tabela de comparação e nos destaques dos resultados abaixo.

O termo "super" é apenas uma ferramenta de marketing usada por algumas fabricantes, mas nós o adotamos genericamente para diferenciar as tecnologias de tela de mais alta performance.

Já que os smartphones são utilizados para visualizar fotos, vídeos e uma ampla gama de conteúdo multimídia, nós avaliamos a sua qualidade de imagem nos mesmos termos de uma HDTV. De fato, a maioria dos smartphones que testamos tem maior qualidade de imagem que boa parte das HDTVs – o nível já está alto para os telefones. Mas ainda há bastante espaço para melhoria, e nós vamos falar e mostrar onde – nós incluímos imagens matematicamente processadas para corrigir erros de cores de imagem em cada smartphone para que você possa compará-las às originais.

A Parte II desta série será sobre reflexos, luz ambiente, glare, luz ambiente e sensores, legibilidade da tela, conforto na visualização, uso de energia e bateria. Agora vamos ver como estes smartphones se saíram.  

Destaques dos resultados

Para os detalhes, medições, explicações detalhadas e análises, veja os links abaixo que levam aos artigos dedicados a cada smartphone.

iPhone 4 – "Super" LCD
Desde a sua introdução, o iPhone tem sido uma das maravilhas do mundo moderno da tecnologia por várias razões. Mas a tela nunca foi uma delas, até o lançamento do iPhone 4, quando o aparelho finalmente ganhou a tela que merecia. A tela do iPhone 4, apelidada de Retina Display, é uma "Super" LCD com performance máxima em muitas das nossas categorias de testes – ela é a mais brilhante e mais nítida, mas por outro lado a sua gama de cores é muito pequena, produzindo cores sub-saturadas e relativamente "lavadas", e o seu contraste de imagem é muito alto, o que produz imagens mais agressivas e compensa parcialmente a pequena gama de cores. Estas foram provavelmente decisões intencionais da Apple para aumentar o brilho da tela, eficiência energética e tempo de bateria do aparelho. Ainda assim o iPhone 4 recebe o nosso prêmio de Melhor Display Mobile no DisplayMate Best Video Hardware Guide. Nós incluímos uma comparação dedicada com o iPhone 3GS abaixo. "Retina Display" é um ótimo nome de marketing, e ela é de fato a tela mais nítida disponível em smartphones, mas, quantitativamente, ela é mais baixa que a acuidade da retina humana por um fator de dois. Clique aqui para ler uma discussão sobre a Retina Display. Por fim, a Parte II desta série discutirá algumas falhas importantes no controle de Brilho Automático do iPhone 4, que possivelmente serão corrigidas no futuro próximo através de um update de software.


Gráfico comparativo de gama de cores

Samsung Galaxy S  "Super" OLED
O Galaxy S tem a nova geração de luxuosas telas OLED da Samsung, anunciadas como "Super AMOLED". O AM de AMOLED significa Active Matrix (Matriz Ativa), mas todos os smartphones têm isso. O que é particularmente impressionante é a velocidade com que a Samsung tem evoluído sua tecnologia OLED – o Galaxy S atingiu desempenho máximo em muitas das nossas categorias de testes. Algumas das áreas nas quais ele deixou a desejar foram resultado da calibragem do fabricante e de problemas mais relacionados ao sistema operacional do que à tela OLED em si. O Google confirmou que alguns dos problemas de tela que encontramos são causados pelo Android 2.1. Apesar da OLED ser uma tecnologia de telas relativamente nova, que ainda não foi aperfeiçoada aos níveis de maturidade apresentados pelas LCDs mais maduras, o Galaxy S já tem uma tela bastante impressionante para uma tecnologia que mostra evolução rápida, então ele ganhou o nosso prêmio de Melhor Nova Tecnologia de Display Mobile no DisplayMate Best Video Hardware Guide. Há comparações entre "Super" LCDs e "não-Super" OLEDs abaixo. A Parte II também discutirá problemas com o controle de Brilho Automático do Galaxy S, que devem dizer respeito a outros telefones Android também.

"Super" LCD contra "Super" OLED
Todos os LCDs testados foram consideravelmente mais brilhantes que os OLEDs – mas isso pode mudar no futuro próximo graças ao constante amadurecimento da tecnologia OLED. Apesar das "Super" OLEDs terem até 50 vezes a taxa de contraste das "Super" LCDs, quando uma tela é configurada com o seu melhor ajuste de brilho, esta diferença de taxa de contraste é quase imperceptível a não ser em condições de baixa iluminação ambiente, o que é raramente o caso na utilização de um smartphone. As OLEDs adoram propagandear suas cores vívidas e grande gama de cores que produzem imagens exageradas e super saturadas, mas um dia elas diminuirão isso e acertarão na medida. Enquanto a nitidez do iPhone 4 é quase um exagero (é tão alta por questões de compatibilidade de aplicativos), o arranjo PenTile das OLEDs só tem dois sub-pixels por pixel em vez dos costumeiros três, então ele aparenta ser mais pixelado do que a sua resolução sugere que seja – é excelente para imagens fotográficas, mas nota-se uma degradação para texto e gráficos coloridos (vermelho, azul e magenta). Apesar de todas as OLEDs se comportarem consideravelmente melhor com mudanças no ângulo de visão do que as "Super" LCDs, smartphones são primariamente dispositivos operados por uma única pessoa, e o usuário pode facilmente orientar o telefone para um melhor ângulo. As LCDs atualmente são mais eficientes com a energia em imagens brilhantes, enquanto as OLEDs são mais eficientes para imagens escuras. Mas para o conteúdo padrão da Web e aplicativos, que tipicamente utilizam fundos mais claros, o equilíbrio de energia ainda está decisivamente em favor dos LCD por mais de 2 por 1 em nossos testes – isso também deve mudar com a evolução das OLEDs. A grande questão que ainda resta sobre OLEDs (e não abordada pelos nosso testes) é se o problema passado de envelhecimento disforme dos sub-pixels RGB das OLEDs foi resolvido.

"Super OLED" contra "não-Super" OLED
As "Super" OLEDs de fato têm um desempenho consideravelmente melhor do que as OLEDs "não-Super". O que é particularmente impressionante é a rapidez com que a Samsung tem evoluído a tecnologia OLED. O display "Super" OLED é muito mais refinado, com muito menos artefatos e uma calibragem de fábrica muito melhor. A Samsung anuncia que a Super OLED do Galaxy S é 20% mais brilhante e consome 20% menos energia do que as OLEDs "não-Super", além de ter uma reflectância de tela de apenas 4%, em vez dos 20% das OLEDs "não-Super". Em nossos testes de laboratório, o Galaxy S teve uma reflectância de 4.4%, foi 25% mais brilhante e usou 21% menos energia que a OLED "não-Super" do Nexus One. Particularmente impressionante foi a baixa reflectância da tela, que está entre as menores que já medimos – na rua, isso pode ter um impacto significativo na visibilidade da tela. As exageradas cores supersaturadas ainda estão presentes – elas precisam ser gerenciadas adequadamente e podem ser usadas construtivamente de modo calibrado para contrabalancear os efeitos do glare em luz ambiente (Parte II).

iPhone 4 contra iPhone 3GS
A tela do iPhone 4 é um tremendo passo à frente em relação à do iPhone 3GS e modelos anteriores. Ela tem o dobro de resolução, 26% mais brilho, 24% menos reflectância e 64% mais contraste sob luz ambiente forte, além de contraste 8 vezes maior em luz ambiente baixa. Por outro lado, o iPhone 4 tem a mesma gama de cores reduzida do iPhone 3GS, produzindo cores sub-saturadas e relativamente "lavadas". O iPhone 3GS tem um contraste de imagem muito baixo, o que se soma à aparência lavada da tela. O iPhone 4 foi ao outro extremo, com contraste demais, o que dá à imagem um aspecto mais extremo e compensa parcialmente a pequena gama de cores. Por último, a tela do iPhone 4 consome apenas metade da energia em relação ao consumo da tela do iPhone 3GS.

Motorola Droid/Milestone – "Super" LCD
O primeiro Droid, lançado nos EUA em outubro de 2009, continua sendo o melhor smartphone em termos de qualidade e precisão geral de imagem, próximo ao que você veria em um monitor de estúdio calibrado, e melhor do que a maioria das HDTVs – muito menor, é claro, mas impressionante ainda assim. Ele ganhou o nosso prêmio Melhor Qualidade de Imagem Mobile no DisplayMate Best Video Hardware Guide, mas apenas com o Android 2.0. O Google confirmou que alguns dos problemas de display descobertos depois foram causados pelo upgrade para Android 2.1.

Google Nexus One – OLED "não-Super"
A sua tela OLED "não-Super" recebeu muita atenção quando foi introduzida em janeiro de 2010, mas em termos objetivos de qualidade de imagem e desempenho geral ela se comporta como um protótipo apressado para early adopters em vez de uma tela com qualidade de produção. Decididamente em último lugar entre as cinco telas testadas, mesmo sem contar os problemas de imagem trazidos pelo Android 2.1.

E a vencedora é:

Não há decididamente uma vencedora entre as três telas "Super", já que cada uma delas é muito melhor do que as outras em um aspecto importante, mas decepciona em outras áreas. O iPhone 4 tem a tela mais brilhante, nítida e energeticamente eficiente. O Motorola Droid tem a melhor qualidade e precisão de imagem. O Samsung Galaxy S tem a menor reflectância e maior contraste tanto em ambientes claros quanto escuros, além do melhor ângulo de visão. Por outro lado, o iPhone 4 tem baixa gama de cores e ângulo de visão, o Droid é fraco em reflectância e ângulo de visão e o Galaxy S tem menor brilho, excessiva saturação, maior consumo de energia e alguns problemas de nitidez. Mas cada uma dessas "Super" telas é impressionante e merece um prêmio: a do iPhone 4 se comportou melhor de modo geral e recebe o prêmio de Melhor Display Mobile da DisplayMate, a do Motorola Droid merece o Melhor Qualidade de Imagem Mobile e a do Samsung Galaxy S recebe o de Melhor Nova Tecnologia de Telas Mobile. Cada uma delas tem muito o que melhorar e pode ultrapassar as outras duas com vantagem, se for bem trabalhada em versões futuras.

Republicado com permissão do DisplayMate. Para informações mais detalhadas e o teste completo (em inglês), veja esta tabela comparativa ou clique nos links individuais nos nomes dos aparelhos.