O governo dos EUA não deveria dividir o Facebook, pois isso não corrigiria os problemas reais que as pessoas enfrentam na era das mídias sociais, segundo Mark Zuckerberg, CEO e fundador do Facebook, um homem que atualmente vale US$ 71,5 bilhões, justamente pelo fato de sua rede social ser tão grande.

Zuckerberg participou do Aspen Ideas Festival nesta quarta-feira (26) para uma entrevista com o professor de direito Cass Sunstein, em que ele opinou contra políticos norte-americanos, como a pré-candidata à presidência Elizabeth Warren, que defendem que algumas empresas de tecnologia são muito grandes. Sustein aproveitou para mencionar que um dos amigos do fundador do Facebook também se posicionou para que a companhia fosse dividida em múltiplas entidades, mas Zuck não curtiu muito.

“Não concordo com isso”, disse Zuckerberg, causando risos na plateia.

“Veja, acho que há grandes problemas sociais, certo?”, continuou Zuck. “Acho que a integridade da eleição é um assunto crítico, remover conteúdo nocivo e fazer gerenciamento disso é importante. Privacidade é importante, e é claro assegurar inovação e competição, e pesquisa também é importante”.

“A questão com a qual eu acho que temos que lidar é que quebrar essas empresas não melhoraria nenhum desses problemas”, disse Zuckerberg. “Certo? Então, a capacidade de trabalhar com sistemas eleitorais ou de conteúdo…temos a capacidade, por sermos uma empresa grande e bem-sucedida, de poder construir sistemas sem precedentes”.

“Os sistemas, em muitos casos, são mais sofisticados do que o que a maioria dos governos tem”, continuou Zuckerberg, sem explicar com precisão o que isso significa. “E nós podemos fazer isso e aplicar no Facebook, no Instagram, no WhatsApp e no Messenger”.

O único problema do argumento de Zuckerberg? O Facebook é ruim na implantação de sistemas que ajudam a resolver os problemas atuais. A única coisa em que o Facebook parece ser bom é criar eventos de relações públicas que façam parecer que estão fazendo alguma coisa. E é muito mais fácil criar uma “sala de guerra” com as pessoas olhando telas do que abordar assuntos sérios, como a interferência das eleições por governos estrangeiros. Especialmente quando você nem deixa os jornalistas falarem com as pessoas da tal “sala de guerra”.

(No ano passado, o Facebook estabeleceu uma sala de guerra para monitorar a movimentação em suas redes sociais durante eleições em diversos países, inclusive o Brasil. Na ocasião, jornalistas foram convidados a visitarem o local, na sede da empresa, mas eles não puderam falar com funcionários envolvidos na operação)

“Consigo entender por que a ideia de querer dividir empresas parece legal, certo?”, disse Zuckerberg posteriormente. “É como se, existem problemas…vamos pegar um martelo e executar [a divisão], mas acho que a realidade é que queremos ser…queremos assegurar que as coisas que fazemos vão realmente lidar com os problemas”.

Zuckerberg defendeu ainda a aquisição de serviços de competidores, como Instagram e WhatsApp, argumentando que as compras, na verdade, aumentaram a competição. O Facebook comprou o Instagram por US$ 1 bilhão em 2012, e o WhatsApp por US$ 19 bilhões em 2014.

“Sim, algumas fusões podem ser ruins para inovação. Estas não foram”, afirmou Zuckerberg ao discutir as aquisições específicas do Instagram e do WhatsApp. “Acho que seria muito difícil argumentar que qualquer tipo de inovação ou competição no ecossistema foi diminuída devido ao trabalho e à inovação que trouxemos para isso”.

Toda a conversa com Mark Zuckerberg no Aspen Ideas Festival está disponível no YouTube (em inglês). No entanto, se isso soa muito chato para você, permita-me sugerir este outro vídeo de Zuckerberg, que é muito mais interessante.