Houve um tempo em que a Nokia reinava no mundo dos celulares, com mais de 120 milhões de unidades vendidas por trimestre até 2010. No entanto, após a falha na parceria com a Microsoft, que comprou a divisão móvel da empresa finlandesa, uma das alternativas foi se arriscar na área de vestíveis — o que fez a companhia comprar a Withings, uma companhia francesa de medidores de atividades física, por US$ 190 milhões em junho de 2016.

O Nokia 8 é um aperitivo de como os smartphones poderiam ter sido
Uma linha do tempo da complicada relação entre a Nokia e smartphones

Infelizmente, baseado em um memorando vazado e visto pelo The Verge, menos de dois anos após a operação ter sido finalizada, a iniciativa da Nokia parece estar indo por água abaixo. O documento foi divulgado um pouco depois de uma análise interna avaliar o futuro do negócio de medidores de atividades físicas, e ele não traz boas notícias. Kathrin Buvac, chefe de estratégia da Nokia, diz que “nosso negócio de equipamentos para atividades físicas está com problemas de escala e de atender às suas expectativas de crescimento.”

E isso não é tudo. A executiva ainda disse que “melhor que se apaixonar por nossa tecnologia, nós devemos ser honestos”. Continua: “Agora, a gente não vê um caminho [para o negócio de medidores de atividade física] para se tornar uma parte significante de uma companhia grande como a Nokia.”

Embora o memorando não diga se a Nokia vai fechar ou não essa divisão, as coisas certamente não estão boas, especialmente após a Nokia dizer que lançaria US$ 164 milhões da negociação com a Withings em seu balanço financeiro trimestral reportado em outubro. o que significa que a companhia supervalorizou a aquisição da startup francesa.

Além disso, muitos dos produtos da divisão de saúde da Nokia, como termômetros touchless, dispositivos para medir o sono e monitores de pressão premium não foram sucesso de vendas. E embora a marca Nokia Health esteja presente em vários produtos da Withings, como o Steel HR, não houve mais atualizações para estes dispositivos no último ano — o que parece indicar uma interrupção no desenvolvimento da tecnologia.

A parte triste é que a derrocada deste setor de saúde da Nokia contrasta com a ressureição da venda de headsets —a empresa vendeu 4,4 milhões de smartphones no último trimestre de 2017, segundo a Counterpoint Research. Segundo o analista Neil Shah, que trabalha na consultoria, esses números são superiores a de grandes fabricantes, como Lenovo, Sony e HTC.

É claro que atualmente os aparelhos Nokia não são mais feitos pela companhia. A HMD Global licenciou a marca finlandesa e a utiliza em seus smartphones desde 2016.

No fim das contas, a Nokia provavelmente não está em perigo, pois ainda tem atuação sólida na área de telecomunicações e redes. Porém, parece que a segunda tentativa de a empresa atuar no setor de eletrônicos de consumo não está indo nada bem.

[The Verge]