No início deste mês, o Spotify fez a limpa no serviço banindo quem utilizava aplicativos “não autorizados” para usufruir das funções de assinantes sem pagar nada – ouvir música sem anúncios, por exemplo. Agora, o que parecia ser um punhado de usuários é na verdade um número muito maior: dois milhões, conforme divulgou a plataforma de streaming na documentação da abertura de oferta pública inicial.

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Até o final de 2017, o Spotify divulgou que possuía 157 milhões de usuários ativos, dos quais 86 milhões eram usuários não pagantes. Assim, como aponta o The Verge, os 2 milhões de usuários piratas equivaleriam a 2,3% de usuários não pagantes que usufruíam do serviço completo por meio de aplicativos de terceiros e modificações.

Conforme apontamos, existem diversas versões ilegais do Spotify que permitem aos usuários da versão gratuita contornar certas limitações, como a reprodução apenas no modo aleatório ou o limite no número de faixas que se pode pular.

Em uma carta um tanto amigável, o Spotify informou os usuários que utilizam os aplicativos não autorizados que “uma atividade anormal” havia sido detectada na conta e que ela seria desativada. Para reativar o serviço seria necessário desinstalar as versões não autorizadas e modificadas do Spotify.  A empresa afirmava ainda que reservava “todos os direitos” para suspender ou encerrar a conta de quem continuasse a fazer uso desta prática.

Email enviado aos usuários que pirateavam o Spotify. Leia a tradução aqui. (Créditos: captura de tela/TorrentFreak)

A situação, apesar de não ser alarmante, não deixa de ser ruim para a empresa que está prestes abrir sua oferta pública, uma vez que estes usuários do serviço posando de assinantes não geram receita com as propagandas que deveriam estar ouvindo e dificilmente seriam convertidos em usuários pagantes reais – algo crucial para o modelo de negócio do Spotify.

Além disso, o Apple Music começou a ameaçar o reinado do Spotify: em fevereiro, o serviço de Tim Cook estava prestes a ultrapassar o número de usuários do Spotify nos EUA, até então o maior mercado da rede. Enquanto o Apple Music acumulava uma taxa mensal de crescimento de 5%, o Spotify se mantinha com 2% — algo que poderia ser explicado pelo fato de todo novo iPhone sair de fábrica pré-carregado com o Apple Music, o que pode fazer vários usuários assinarem o serviço por não conhecerem outras ofertas.