De quem é a terminação de domínio .amazon? Para a ICANN ele pode pertencer à Amazon, que pediu o registro do endereço. Mas Brasil e Peru questionam a empresa e acham que ele devia ser usado para interesses públicos em promover a Amazônia.

Com apoio de outros países sul-americanos – Bolívia, Equador e Argentina – Brasil e Peru enviaram uma notificação para a ICANN sobre o uso do domínio. O documento se baseia na antiga briga de interesses públicos x interesses privados.



Conceder o direito exclusivo deste gTLD [nome de domínio genérico de nível superior] para uma companhia privada iria impedir o uso do domínio para fins de interesse público relacionados à proteção, promoção e divulgação de questões relacionadas ao bioma da Amazônia, além de dificultar o possível uso desse domínio para congregar páginas relacionadas à população que habita esta área geográfica.

O maior problema para a Amazon é que a empresa colocou dinheiro no pedido de registro de domínio. A entrada no processo de registro custou US$ 185 mil aos seus cofres e agora ela receberia 80% do valor de volta – US$ 148 mil – caso volte atrás no seu pedido. É pouco provável que ela desista de registrar: a Amazon gostaria de ser uma das poucas empresas com um domínio igual ao seu nome, e provavelmente não  quer perder dinheiro.

Mas a Amazônia é um bem natural muito mais valioso do que a Amazon, uma empresa privada com 18 anos de existência. A importância da floresta amazônica para a humanidade é muito maior do que a da Amazon, e a internet pode ser fundamental para ajudar na sua preservação. Só que infelizmente não vivemos em um mundo ideal e os interesses privados normalmente se sobrepõem aos públicos.

Desde que a ICANN abriu a possibilidade de empresas registrarem gTLDs globais ela tem enfrentado alguns problemas. Algumas companhias tentam registrar endereços genéricos – a própria Amazon quer o .book e .store – e alguns países questionam o uso deles.

A Austrália, por exemplo, pediu que as empresas que conseguirem o controle dos domínios devem se comprometer a permitir que terceiros também façam uso deles. Assim, de acordo com a proposta australiana, tanto a Amazon poderia usar o gTLD .amazon para seus interesses econômicos quanto Brasil e Peru poderiam fazer uso dele para promover a Amazônia. Não é a solução ideal, mas parece algo bem mais possível de acontecer do que a Amazon simplesmente desistir do pedido. [G1, Foto: Artur Couto/Flickr]