O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma série de tuítes malucos no fim de semana, e uma de suas reclamações mais bizarras teve como alvo o CEO da Amazon, Jeff Bezos. Trump referiu-se ao bilionário e dono do Washington Post como “Jeff Bozo”.

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Jeff Bezos é a pessoa mais rica da história moderna, com uma fortuna de US$ 150 bilhões

“Sinto muito ouvir as notícias sobre Jeff Bozo sendo derrubado por um concorrente cuja reportagem, pelo que entendo, é muito mais precisa do que a reportagem em seu jornal lobista, o Amazon Washington Post”, disse o presidente norte-americano na noite de domingo (13). “Esperamos que o jornal seja colocado em mãos melhores e mais responsáveis!”

De que diabos ele está falando? Trump, que atualmente mantém o governo refém em uma paralisação por causa de seu muro proposto na fronteira EUA-México, insultou reiteradamente o Washington Post durante seu mandato como presidente. Mas o chefe de Estado provavelmente está chateado com a recente reportagem do jornal no sábado (12), que afirmava que Trump fez um esforço extraordinário para esconder suas conversas com o presidente russo Vladimir Putin.

De acordo com o Washington Post, o presidente Trump anteriormente confiscou anotações de seu intérprete e lhe disse para não discutir com outros funcionários do governo americano as reuniões que ele teve com Putin. As revelações do Washington Post vieram na esteira de uma reportagem contundente do New York Times sobre o FBI ter aberto uma investigação em 2017 a respeito da possibilidade de que Trump estaria agindo como um agente do governo russo. Não está claro se essa investigação está em andamento.

O veículo de imprensa “concorrente” a que Trump se refere é provavelmente o National Enquirer, que tem acompanhado Bezos bem de perto e tem publicado mensagens de texto privadas trocadas entre o fundador da Amazon e sua amante, Lauren Sanchez. Bezos anunciou na semana passada que ele e sua esposa, MacKenzie Bezos, estão se divorciando. O presidente norte-americano está basicamente dizendo que o National Enquirer é “mais preciso” do que o Washington Post, o que seria uma provocação razoavelmente engraçada se não estivesse vindo de um homem que tem o poder exclusivo de lançar dezenas de armas nucleares a qualquer momento que quiser, seja começando a Terceira Guerra Mundial ou simplesmente terminando a vida na Terra como a conhecemos.

Trump tem um histórico de obsessão com os divórcios de seus ricos “amigos” homens e normalmente se solidariza com eles sobre os termos financeiros de seus divórcios. Quando perguntado sobre o divórcio de Bezos em 10 de janeiro, o presidente norte-americano disse estranhamente: “Desejo-lhe sorte, vai ser uma beleza”, provavelmente se referindo à enorme quantidade de dinheiro que será dividida entre Jeff e MacKenzie Bezos.

Outros tweets de Trump no fim de semana incluíram tudo, desde alegações de que não há caos na Casa Branca (contradizendo tanto o noticiário quanto o simples senso comum) até ataques ao FBI.

Enquanto isso, o governo segue paralisado, filas da Administração para a Segurança dos Transportes dos EUA nos aeroportos estão sendo fechadas porque os trabalhadores não podem arcar com o custo do combustível para chegar ao trabalho, e um quarto da equipe do Departamento de Estado no exterior não está recebendo salário. Essa última parte é obviamente uma mina de ouro da espionagem para os adversários dos Estados Unidos na Nova Guerra Fria, que agora são capazes de explorar pessoas que estão em dificuldades financeiras, potencialmente lhes pagando por informações.

Bem-vindos ao dia 24 da paralisação do governo de Trump, que não tem um fim à vista. O presidente norte-americano pode ou não estar em dívida com o governo russo. E ele está sentado na Casa Branca tuitando as coisas mais vis e mesquinhas que você pode imaginar.

O presidente norte-americano Donald Trump, uma ameaça à segurança nacional dos EUA, na Casa Branca em 11 de janeiro de 2019. Foto: Getty Images

É tanto impressionante quanto assustador que esse é o momento em que se encontram os Estados Unidos, mas há muito pouco que o americano médio possa fazer para resolvê-lo. Tudo está nas mãos do líder da maioria no Senado do país, Mitch McConnell, ausente há semanas.

É até difícil imaginar um período antes de tudo estar um caos em todo o governo dos EUA, mas toda essa experiência é também um testemunho da rapidez com que podemos nos aclimatar a situações bizarras. As instituições mais básicas dos Estados Unidos estão caindo aos pedaços, mas a vida continua. Ela pode estar comprovadamente pior para milhões de norte-americanos, mas ela continua.