Uma das formas mais bem-sucedidas de combater a pandemia de COVID-19 é o chamado rastreamento de contatos. A tecnologia prometeu ajudar nisso, mas até agora, faltou combinar com os usuários: o app oficial do Ministério da Saúde só foi baixado 10,69 milhões de vezes, o equivalente a 5,05% da população brasileira.

As informações foram obtidas junto ao Ministério da Saúde pelo site Manual do Usuário. Até 21 de dezembro de 2020, o aplicativo Coronavírus SUS foi baixado 1,99 milhão de vezes na App Store e 8,7 milhões de vezes na Play Store do Google.

O número de downloads, aliás, pode não corresponder ao número de pessoas que usam o recurso. A funcionalidade de rastreamento foi adicionada ao app no fim de julho. Até então, o aplicativo servia para dar orientações gerais e trazer informações sobre a COVID-19 — quem baixou antes e desinstalou ou não usou mais pode nem ter participado do rastreamento. Ao Manual do Usuário, o Ministério da Saúde não informou o número atual de usuários do recurso.

O rastreamento de contatos é uma forma de tentar conter o espalhamento do vírus. Ao saber que alguém teve diagnóstico da doença, outras pessoas que tiveram contato com o paciente infectado devem (ou deveriam, pelo menos) ficar em quarentena por 14 dias.

A tecnologia prometeu ajudar nisso desde o começo da pandemia. Apple e Google trabalharam juntos para criar um protocolo que funcionasse tanto no iOS quanto no Android. Nasceu o chamado API Exposure Notification, que usa Bluetooth Low Energy (BLE) para identificar outros aparelhos ao redor. Ele permite que os smartphones saibam quando alguém que testou positivo esteve por perto do usuário. Essa é a API usada pelo app Coronavírus SUS, inclusive.

Como o Manual do Usuário comenta, estudos apontam que pelo menos 60% da população precisariam usar um app desse tipo para ele ser eficaz, mas um número de 20% já contribuiria para diminuir a disseminação do coronavírus. Apenas 5% da população, porém, é muito pouco.

O rastreamento de contatos envolve muito mais do que um app: em muitos países, o sistema de saúde monta equipes dedicadas a entrevistar pacientes para saber onde eles estiveram e alertar possíveis contatos para que façam quarentenas.

A estratégia contribuiu muito para um controle eficiente da pandemia na Austrália, na Nova Zelândia e na Coreia do Sul. Na Alemanha, foi suficiente na primeira onda de contágio, durante o primeiro semestre de 2020, mas na segunda onda, em outubro, as infecções foram tantas que os profissionais não deram conta de rastrear todos os contatos e alertar as pessoas a tempo.

Seja como for, o número baixo de downloads também pode ser fruto de pouca divulgação do Ministério da Saúde — uma prova do pouco empenho do governo federal em tentar controlar a pandemia de COVID-19 no Brasil.