A Aerocamaras, uma empresa de drones da região da Galícia, Espanha, está se preparando para realizar um resgate inédito em Todoque, na cidade de La Palma, no arquipélago das Canárias. Eles já vem trabalhando há pelo menos uma semana no desenvolvimento de uma tecnologia com o objetivo de salvar quatro cães que ficaram presos no local.

Todoque foi completamente devastada após a erupção do vulcão Cumbre Vieja que já dura mais de um mês. Outras empresas, como a Ticom e Volcanic Life, se alternavam para levar comida e água para os cachorros. O CEO da empresa, Jaime Pereira, afirmou que a manobra é arriscada e que não há precedentes no mundo.

A empresa realizou modificações em um dispositivo utilizado para transportar carga para navios no estreito de Gibraltar. O drone tem cerca de 2,50m de diâmetro e capacidade para carregar até 24 quilos. No entanto, é preciso considerar que existem muitas diferenças entre transportar carga e transportar um ser vivo.

Para o momento crucial, a realização do resgate, a empresa desenvolveu uma rede especial que pode ser abaixada e atrair os cães com uma isca de comida. Enquanto isso, outros dois drones também estarão no local para auxiliar no monitoramento da operação. A grande dificuldade é atrair o cão até a rede. Além disso, o CEO da empresa afirma que foi desenvolvido um sistema que devolverá os cães rapidamente para o chão, caso alguma coisa dê errado.

Além da dificuldade do resgate, a empresa enfrenta outra barreira. A legislação atual da Espanha não permite que drones transportem pessoas e animais, o que torna toda essa operação de resgate ilegal. O CEO da empresa afirmou que a documentação necessária já foi entregue para os órgãos responsáveis. A organização não governamental Leales está atuando ativamente na internet solicitando a remoção dos obstáculos legais que estejam impossibilitando o salvamento dos animais.

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A Aerocamaras também necessita de apoio logístico, já que, segundo Pereira, a empresa precisará transportar de 90 a 100 quilos de materiais para fazer o resgate. Mas aos poucos, empresas vão se juntando à causa e oferecendo ajuda à empresa galega. Uma empresa da região da Andaluzia já se ofereceu para fretar o avião para transportar equipe e equipamentos para o local assim que for legalmente possível.