Astrônomos que analisavam imagens de Plutão identificaram o que parecem ser dunas na superfície de Plutão. Não seriam dunas de areia, mas dunas de metano congelado – uma característica terrestre em um mundo totalmente alienígena.

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As dunas não se formam do nada – elas precisam de pequenos grãos e algum tipo de força, como vento, para que ganhem alguma forma. Quando a sonda New Horizons passou por Plutão em 2015, ela capturou alguns relevos que se pareciam com dunas, ao lado de uma cadeia de montanhas.

Essa é uma prova não só do quão interessantes podem ser os objetos cósmicos distantes, mas também da capacidade que alcançamos em observar objetos tão distantes no espaço.

“As melhores imagens antes da New Horizons tinham 12 pixels de todo o planeta-anão”, disse ao Gizmodo o autor do estudo, Matt Telfer, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido. “O que temos agora é uma evidência diversa, dinâmica e de uma superfície geológica ativa. Vemos montanhas, geleiras e gelo se movendo. Mesmo com a atmosfera rarefeita, vemos evidências de que a atmosfera molda a superfície desse planeta, assim como acontece em nosso próprio lar.”

As dunas de Plutão são bem terrestres. Elas estão situadas paralelamente às bordas das montanhas adjacentes e perpendicularmente à direção das raias de vento próximas. Mas elas não se parecem nada com as dunas arenosas do Saara. A atmosfera de Plutão é muito rarefeita para empurrar grãos minúsculos de metano por conta própria.

Em vez disso, as partículas podem ser jogadas no ar quando o gelo de nitrogênio sublima – se transforme de um sólido para um gás, criando um jato ascendente de gás nitrogênio. A partir daí, a brisa leve do planeta poderia empurrar as partículas de metano, cada uma do tamanho de uma célula de gordura humana, para os sulcos observados por Telfer e pela equipe da New Horizons.

A descoberta das dunas foi possível graças à combinação de uma análise do famoso mapa da superfície de Plutão, produzido pela New Horizons durante sua passagem aérea pela região, com o uso de uma modelagem de um outro cientista. Os pesquisadores publicaram seus resultados nesta semana, na revista Science.

Essas estruturas podem não ser dunas, é claro. “Não vemos o sedimento se mover e não vemos as dunas se moverem”, disse Alex Hayes, astrônomo da Universidade Cornell que não esteve envolvido no estudo, ao Gizmodo. “Mas esse é o ponto. O artigo vê essa característica interessante e tenta interpretar o que pode ser… Os autores têm um argumento convincente, mas, sem imagens de resolução ainda maior, é difícil ter certeza.”

As supostas dunas são visíveis como uma textura na metade inferior da imagem. Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

É difícil de imaginar qualquer uma característica formada de outra maneira, diz Telfer. E não seria a primeira duna extraterrestre a ser observada, aponta Hayes. Alguns objetos como Titã, a lua de Saturno; Marte e até mesmo o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko possuem características similares a dunas.

Se você está se perguntando o que isso pode significar para o debate sobre Plutão ser um planeta, a resposta é: nada. Plutão ainda é classificado como um planeta-anão, e essa classificação é irrelevante para o trabalho de Telfer e sua equipe. Afinal, existem coisas maiores e mais interessantes do que Plutão. “Algo que estamos esperando para ver é o sobrevoo da New Horizon pelo Objeto do Cinturão de Kuiper, no dia 1º de janeiro do ano que vem”, disse ele. Ninguém imagina quais mistérios nos aguardam naquela rocha, chamada Ultima Thule ou 2014 MU69.

Quanto a Plutão e suas dunas, a conclusão é de que há muito o que explorar. “Essas características nos mostram o que a exploração espacial aponta sempre”, disse Hayes. “A única coisa que você pode esperar é se surpreender.”

[Science]

Imagem do topo: NASA/JHUAPL/SwRI/New Horizons