O Google vem pesando a mão e irritando muita gente com isso.

A empresa supostamente obrigou a Samsung e a Motorola a não usarem o serviço concorrente da Skyhook de localização. Depois, o Google resolveu pagar US$12,5 bilhões pela Motorola e entrar no mercado de celulares, afetando diretamente parceiros como Samsung e HTC. Eles mudaram o algoritmo de buscas sem aviso, fazendo certos negócios que dependem do Google – além de desenvolvedores do Android Market – caírem de posição. Eles entraram em território do Facebook há alguns meses com o Google+, e estão sendo agressivos com certas táticas, como cobrar menos por vendas dentro dos jogos, para atrair desenvolvedores. Eles lembram bastante a Microsoft, quando a empresa era o maior destaque no mundo da tecnologia.

Sempre que o Google toma uma dessas atitudes, é fácil (e até divertido!) apontar o dedo para o mantra que a empresa vem pregando há anos: “Don’t be evil” (não seja mau). Mas como aponta o pesquisador e ativista social Aaron Swartz, o Google tem uma definição bem específica de mal. Uma definição que não tem nada a ver com táticas de mercado como ser concorrente de parceiros, ou ser agressivo contra concorrentes mais fracos.

A definição tem a ver com os usuários.

O Google dá três exemplos de como eles não fazem o mal: eles só mostram anúncios relevantes, nunca mostram pop-ups ou outros anúncios irritantes com “truques”, e nunca vendem resultados de busca. Em outras palavras, eles nunca tornam – nem vão tornar – um produto pior só para ganhar dinheiro fácil.

Basta olhar as ações do Google no ano passado, e você verá que eles estão seguindo o que prometeram:

– Aumentar as restrições para liberar o código-fonte do Android, e comprar uma fabricante de hardware que pode (mas não necessariamente vai) criar aparelhos de referência torna o Android melhor para os usuários.

– Mudar o algoritmo de busca para se livrar de resultados ruins torna a busca melhor para os usuários.

– Adicionar uma rede social dá acesso para o Google aos dados que os usuários compartilham uns com os outros, o que torna a busca do Google melhor para os usuários. Cobrar menos dinheiro para que os desenvolvedores criem mais jogos para a plataforma torna o Google+ melhor para os usuários.

Às vezes o limite fica impreciso, especialmente com aquisições: comprar a ITA, fornecedora de informações de viagens, parecia simplesmente que o Google queria ser dono de uma fonte importante de dados para o concorrente Bing, da Microsoft. (Eles precisavam realmente comprar o serviço para melhorar os resultados de busca?) A ação contra a Skyhook e contra a neutralidade na internet nos EUA também são questionáveis.

Mas se evitar o mal significa agradar os consumidores, isso é ser esperto nos negócios. É por isso que o Google está ganhando.

O engenheiro anti-spam do Google, Matt Cutts, também lembra que há uma grande diferença entre “não ser mau” e “não fazer mal”. Quando alguém cita errado o Google com a expressão “não fazer mal”, eles geralmente estão aí para discordar. [Aaron Swartz]

Republicado com permissão do Business Insider