Antes da coletiva de hoje na CES, a Nvidia apenas fazia chips para colocar em gadgets de outras empresas. Depois da coletiva de hoje, a empresa tem seu próprio gadget: um portátil com Tegra 4, tela e joystick integrados. Esse é o Shield. Mas o que diabos ele faz?

A Nvidia diz que o aparelho, batizado por enquanto de “projeto Shield”, terá bateria com duração de 10 horas em uso frequente, qualidade de áudio semelhante à uma caixa de som da Jambox, um joystick no nível das versões de console e, claro, ele roda Android. Sem nenhuma skin. Atrás dele, um monte de portas: HDMI, micro-USB, microSD e saída de áudio.

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Mas é a tela que chama mais a atenção, claro: com cinco polegadas e 720p, ela também é touchscreen. O pacote completo parece ter mais ou menos o tamanho de um controle de Xbox 360, com uma tela a mais. Eis uma tacada importante não só para a jogatina em Android, mas para o mercado de jogos portáteis como um todo, e até talvez possa encarar o Wii U. Por quê? Porque esse aparelho não é só um GameBoy com Android — ele quer ser também uma set top box e um computador de mão, jogando imagens para a televisão via HDMI, fazendo multitarefa enquanto você ouve música e fuça no Facebook, ou basicamente tudo que você espera de um tablet ou smartphone moderno. A diferença é que ele é um grande controle de videogame também.

O aparelho acessa títulos da Tegrazone, loja de games focada em jogos otimizados para processadores da Nvidia, e também é capaz de acessar seu computador e sua conta do Steam via Big Picture (aqui é preciso dizer que o pessoal da Nvidia sofreu demais para fazer o computador se conectar ao Shield que se conectava à TV. Foram necessárias mais de cinco tentativas para que tudo funcionasse, e isso mostra que ainda há muito o que fazer). Há também um modo multiplayer, claro, e a Nvidia demonstrou a jogatina entre duas pessoas.

Mas onde um aparelho que quer fazer tudo se encaixar no mundo? A ideia de ser muita coisa costuma dar problema… E ele provavelmente não irá substituir nada que você já tem — seu computador, seu telefone, seu tablet ou seu console. Mas mesmo assim há algo de interessante nele.

O que pode pesar no momento é que ele só roda jogos com Android. Não que eles sejam ruins, mas as principais novidades de games ainda saem primeiro para iOS para depois chegar ao robô — e isso é ruim para um aparelho que tem um joystick embutido, certo? No fim, o Shield se espalha de forma esquisita entre diversas plataformas, com muitas habilidades, mas sem ser o rei de nenhuma delas. Ele toca música! Faz streaming de jogos do PC! Dá pra ler revistas nele! Usar o Facebook! Mas, peraí, você já não faz todas essas coisas? Não é porque ele pode fazer tudo isso que ele deveria fazer tudo isso. É difícil ver usuários da Nintendo ou da Sony saindo de seus portáteis estáveis e cheios de jogos para mergulhar no Android, ou usuários deixando de usar uma Apple TV ou Boxee Box, ou, sei lá, parar de checar o Facebook no celular, simples assim.

Como avanço de computação, ele merece atenção. Nisso ele é interessante. Mas pensando onde estamos no momento, parece apenas um conceito do que pode ser feito, e não do que deve ser feito. Mesmo assim, ele chega aos EUA no segundo trimestre deste ano. Esperamos encontrar o brinquedinho na CES, e aí teremos mais detalhes sobre o brinquedo. Fique ligado.

 

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