Que o mercado brasileiro de livros digitais chegou muito timidamente no Brasil, todo mundo já sabe. Mas chega a ser feio pensar que vale mais a pena comprar um Kindle importado – mesmo com impostos – do que investir nos e-Readers asiáticos que chegam por aqui. E é nesse cenário que chega o Digle Book, e-Reader da Digle, que tem ares da primeira geração do Kindle e custa R$899,90. Sério.

A tela do aparelho, co e-ink, tem 6 polegadas. Ele pesa 215 gramas, não parece muito grande e é cheio de botões, tanto na parte inferior quanto na lateral. Ele tem 2GB de espaço interno (expansível para até 8GB via microSD) e promete 5.000 viradas de páginas sem necessidade de recarga. E é nessa virada de página que mora a questão: o pessoal da Info já pegou o gadget na mão e disse que, num arquivo no formato ePub, o Dingle demorou 13 segundos para virar uma página abrir um livro. T R E Z E S E G U N D O S. E mais cinco segundos para virar cada página. Perfeito para quem quer uma desculpa para não ler.

A maioria das limitações do Dingle – velocidade (ou falta dela), design “retrô”, ausência de Wi-Fi , os míseros 90 dias de garantia – passariam sem problemas se o aparelho não custasse R$899,90, se chegasse realmente disposto a popularizar os e-Readers. Mas não, né? Hoje, se você quiser comprar o novo Kindle, com Wi-Fi, browser e maior qualidade de renderização de fontes, ele sai por 518 reais – mesmo com todas as taxas, impostos e frete. Ou seja, o aparelho da Digle custa quase o dobro do que o dono do mercado de livros digitais, o aparelho que todas as outras empresas – inclusive a Digle – se inspiram. O que eu quero dizer é: alguém compraria um Digle Book? Ah, você? Então clique aí na loja ao lado e boa sorte, meu amigo. [TimeVision]