Para prevenir ataques em massa como o que aconteceu no Capitólio, nos Estados Unidos, em janeiro de 2021, o FBI fez a contratação de 5 mil novas licenças de um software para monitoramento de redes sociais. Segundo o jornal The Washington Post, o valor da compra foi de até 27 milhões de dólares.

O programa em questão é o “Babel X”, que permite aos usuários fazer pesquisas em redes sociais públicas de acordo com vários parâmetros, entre eles, postagens dentro de uma determinada área geográfica. A ideia da agência é rastrear potenciais ameaças de violência, atos de terrorismo ou violações de leis federais americanas.

O FBI já tinha licenças deste software, mas, aparentemente, não conseguiu prever o ataque ao Capitólio. O novo contrato começou no último dia 30 de março e tem vigência de cinco anos. Ele chama a atenção pelo alto valor investido, tornando-se em uma das maiores contratações de software por uma agência civil dos EUA.

Preocupações com o contrato do FBI

Na lista de monitoramento do FBI estão as plataformas Twitter, Facebook, Instagram, YouTube, LinkedIn, VK e Telegram, além da Deep/Dark Web. A polícia federal americana também está interessada em redes, como Discord, Reddit, TikTok, Snapchat entre outras.

É revelado nos documentos de contratação do software que o FBI estima fazer 20 mil buscas por palavras-chave todos os meses. Porém, é reiterado que a agência quer ter acesso apenas a informações publicamente disponíveis.

O contrato inclui ainda ferramentas de tradução de pelo menos sete idiomas, um recurso de pesquisa de emojis, além da possibilidade de analisar emoções e sentimentos dos usuários para “poder determinar atitudes prováveis ​​dos alvos”.

A contratação, claro, acende o alerta em ativistas defensores da privacidade e das liberdades civis. Inclusive, esse monitoramento tem resistência dentro do próprio Capitólio. Alguns legisladores democratas se preocupam com a vigilância rasteira do governo, enquanto republicanos suspeitam que pode estar ocorrendo monitoramento de discurso político.