Sem muito alarde, a Nokia já mudou a sua página no Brasil para apresentar melhor a família Lumia de Windows Phones que gostamos bastante e já estão fazendo sucesso Europa afora. Tanto o mais “popular” Lumia 710 quanto o topo de linha da empresa Lumia 800 já estão devidamente homologados pela Anatel e o 710 já começou a ser fabricado em Manaus. O CEO Elop veio ao Brasil, a marca ainda é fortíssima no País e o público está sedento por uma novidade que não estupre os bolsos. Por que diabos a demora em lançar aqui?

As nossas fontes de dentro da empresa dizem que o principal motivo é o surpreendente sucesso do N9. Se para quem acompanha a tecnologia o N9 é “apenas” um aparelho lindo com ideias geniais mas um sistema natimorto, para o público médio ele é simplesmente “a melhor coisa que a Nokia já fez nos últimos anos”.  De curiosidade nos fundos das lojas e coletiva tímida no Brasil, o N9 virou estrela em quiosques de operadoras e ocupa toda a página de entrada da Nokia. Não é que ele esteja vendendo horrores — o Brasil ainda tem um mercado de smartphones relativamente pequeno –, mas parece que a Nokia não quer dois flagships brigando entre si — fora que ainda há um bom estoque de N8s com descontos tentadores nas operadoras para serem desovados. Para evitar “canibalizar” o mercado, a empresa está atrasando a data (divulgada apenas internamente) dos Lumia: do fim de janeiro agora já começamos a ouvir “meio de março”.

Mas há uma janela de oportunidade aí. No topo da cadeia, dos aparelhos que geram mais lucro, estamos em um relativo vácuo de lançamentos que pode ser bem melhor capitalizado. O Galaxy S II já foi lançado há vários meses, o HTC Ultimate ou o Motorola RAZR não ganharam muita publicidade e o iPhone 4S chegou a um preço absurdo. Fora rumores sobre os próximos aparelhos ou protótipos que avistamos na CES, não há um burburinho sobre algo lançado agora ou de lançamento iminente. Parece o cenário ideal para ela chegar com uma campanha matadora de um aparelho sexy e um outro que entrega o que se propõe, de uma forma diferente, a um preço (seguindo o exemplo lá de fora) bem decente.

Mas, como disse, é uma janela, que pode se fechar. No fim de fevereiro teremos o Mobile World Congress em Barcelona (estaremos lá!) e seremos apresentados a uma quantidade incrível de novos aparelhos e tecnologias. Certamente teremos um Android com 4 núcleos da LG, algum smartphone com câmeras e design sensacionais da HTC e Sony, sem falar no tão esperado Galaxy S III. No início de março, as notícias serão dominadas por essas novidades, que podem chegar rapidamente ao mercado: Samsung, Sony, LG e Motorola irão se apressar para lançar suas coisas no Brasil — recentemente tivemos lançamentos quase simultâneos nos Androids mais top. E começará o movimento “é, posso comprar isso agora ou esperar X”.

E aí se o Lumia 800 chegar mesmo com este atraso, daqui a mais de 1 mês, quando os blogs de tecnologia estarão começando a falar do lançamento do “900” nos EUA ou os novos Androids, o que acontecerá? Ela perderá a janela de atenção. Será que vale a pena? Será que o 800 é bom o suficiente para enfrentar este delay? A Nokia ainda tem um capital de “confiança” do consumidor no Brasil maior do que em quase todos os países. Pela última pesquisa “Top of Mind”, da Folha, a finlandesa foi de longe a marca mais lembrada pelos brasileiros quando o assunto era celulares. Se ela lançar os Lumia nas próximas semanas, ela pode ficar pelo menos um mês como o grande assunto do mundo da tecnologia. E ela pode gastar todo aquele dinheiro em publicidade que gastou com o N97 (as festas — plural — de lançamento envolveram aparelhos gratuitos para centenas de convidados e traslados de helicóptero) em um aparelho bom, só para mudar de assunto. E eu tenho absoluta certeza que vai dar certo. Mas ela tem que agir rápido.