Curioso para saber como a vida começou na Terra há 3,8 bilhões de anos? Eis uma ideia: por que não recriar fontes hidrotermais antigas em um laboratório e ver se elas produzem energia o suficiente para alimentar uma lâmpada? Isso, pelo menos, é o que alguns cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA decidiram fazer – e os resultados eletrizantes estão ajudando a desvendar a história da origem da vida.

Todas as coisas vivas na Terra precisam de eletricidade, que é basicamente o fluxo de partículas carregadas através de um gradiente. Nossos corpos estão pulsando com eletricidade neste exato momento. Todas as vezes que seu coração bate, ou nas sinapses do seu cérebro, pequenas correntes elétricas correm pelo seu corpo.

Alguns cientistas acreditam que a vida começou através da canalização da eletricidade livre em “jardins químicos” no fundo do oceano. Essas estruturas com o formato de uma chaminé borbulharam no fundo do mar, produzindo gradientes eletroquímicos naturais, que podem ter ajudado no surgimento dos primeiros filamentos de DNA, ou então fornecido energia livre para os primeiros micro-organismos.

Uma fonte hidrotérmica alcalina no fundo do Oceano Atlântico conhecida como "Cidade Perdida". Imagem via Dr. Kelley e M. Elend/Universidade de Washington

Uma fonte hidrotérmica alcalina no fundo do Oceano Atlântico conhecida como “Cidade Perdida”. Imagem via Dr. Kelley e M. Elend/Universidade de Washington

Mas se essas chaminés no fundo do oceano iniciaram a vida, elas precisavam produzir uma quantidade significativa de eletricidade. Não podemos voltar 3,8 bilhões de anos no passado para ver se foi o caso, mas podemos criar chaminés artificiais em laboratório que imitam o que achamos que estava acontecendo na Terra antiga.

E foi isso o que fizeram os cientistas. Eles construíram uma pequena chaminé alcalina usando sulfeto de ferro e hidróxido de ferro, materiais geológicos que podem conduzir eletricidade. Esse experimento de laboratório miniaturizado produziu menos de um volt de energia – o suficiente para ligar uma luz LED – algo que os cientistas acharam chocante.

“Essas chaminés podem agir como fios elétricos no fundo do mar,” disse Laurie Barge do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, autora principal do artigo científico sobre as descobertas. “Estamos aproveitando energia como a primeira forma de vida na Terra pode ter aproveitado.”

Então, pequenas chaminés de ferro alcalino, ao menos, podem ter produzido energia o suficiente para juntas os primeiros filamentos de DNA e proteína. Na sequência, os cientistas planejam mexer na receita e criar chaminés de outros materiais que deviam ser mais comuns nos primeiros oceanos da Terra, como o molibdênio, níquel, hidrogênio e CO2. Eles também podem começar a construir chaminés que imitem condições em Marte antigo, ou em oceanos líquidos quentes escondidos na superfície congelada da lua Europa, de Júpiter.

É loucura pensar nisso, mas é capaz que mesmo antes de irmos até Europa tenhamos uma boa ideia se há uma fonte de energia livre no fundo dos mares alienígenas que vamos explorar.

[Laboratório de Propulsão a Jato]