Conforme a colonização de Marte fica cada vez mais próxima de se tornar realidade, algumas pessoas têm argumentado que a capacidade de bancar uma passagem para o Planeta Vermelho é um luxo restrito a apenas os membros mais ricos da sociedade. O bilionário Elon Musk disse que viagens até Marte por meio de sua empresa espacial, a SpaceX, custarão aos potenciais turistas espaciais centenas de milhares de dólares. Porém, em uma nova entrevista, Musk rechaçou a afirmação de que uma passagem só de ida para Marte é um jeito fácil para os ricos fugirem da Terra.

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Esses comentários foram parte de uma entrevista com o CEO da SpaceX e da Tesla que foi transmitida na noite de domingo (25), no episódio final da série documental de quatro partes do Axios na HBO. Em um clipe da entrevista, Elon Musk indicou que os avanços feitos por sua empresa na tentativa de colonização de Marte foram extraordinários e que existe uma chance de “70%” de que ele próprio se dirija ao planeta vermelho.

“Recentemente, fizemos uma série de avanços com os quais estou bastante animado”, afirmou Musk, que acrescentou estar considerando se mudar para lá. Perguntado se uma colônia em Marte acabaria sendo uma “saída de emergência para pessoas ricas”, Musk respondeu: “Não. A probabilidade de morrer em Marte é muito mais alta do que na Terra”.

Musk reafirmou que uma viagem a Marte com sua empresa provavelmente custaria “duas centenas de milhares de dólares”, o que certamente é uma quantidade exorbitante de dinheiro para a pessoa média, mas relativamente baixa para viagens espaciais. Porém, apesar dos supostos milhares de pessoas que já estariam competindo por uma oportunidade de colonizar o planeta, Musk apontou as duras condições que qualquer um encontraria em Marte se quisesse viver lá, insinuando que não seria a existência de “almofadinha” que muitos dos mais ricos gostam.

O CEO da SpaceX apontou as condições intensas de trabalho para os primeiros colonos de Marte, alegando que qualquer um que sobreviva à viagem inicial tem um trabalho “ininterrupto” pela frente para ajudar a construir a base. Musk disse que restará pouco tempo para lazer e que, mesmo que os habitantes de Marte possam aguentar a viagem inicial e o trabalho diário, ainda existe uma chance de que as condições em Marte os levem à morte. Existe também a possibilidade de que aqueles que viajem para o Planeta Vermelho talvez nunca retornem para a Terra.

“Isso parece uma saída de emergência para os ricos?”, questionou Musk.

Falando durante o Congresso Astronáutico Internacional em Guadalajara, no México, no ano passado, Musk disse que pretendia basear o custo da viagem em torno do preço mediano de uma casa nos EUA.

“Você não pode criar uma civilização autossustentável se o preço da passagem for de US$ 10 bilhões por pessoa”, afirmou. “Se conseguirmos que o custo de se mudar para Marte seja aproximadamente o equivalente ao preço mediano de uma casa nos Estados Unidos, que é em torno de US$ 200 mil, então acho que a probabilidade de estabelecer uma civilização autossustentável é muito alto. Acho que quase certamente ocorreria.”

Musk também disse que patrocínios poderiam ter um papel nisso, sugerindo que a pessoa média poderia guardar o bastante para um dia conseguir bancar a viagem.

“Nem todo mundo gostaria de ir. Na verdade, provavelmente um número relativamente pequeno de pessoas da Terra gostaria de ir, mas o (número de pessoas) suficiente que poderia pagar para que isso acontecesse gostaria de ir”, disse Musk. “As pessoas também poderiam obter patrocínio. Chega ao ponto em que quase qualquer um, se economizasse e esse fosse seu objetivo, poderia comprar uma passagem e se mudar para Marte — e, dado que Marte teria uma escassez de mão-de-obra por muito tempo, os empregos não seriam escassos.”

O Gizmodo noticiou em abril de 2017 que algumas pessoas já estavam trabalhando com planejadores financeiros para economizar para suas viagens até o Planeta Vermelho. Dan Egan, vice-presidente de finanças comportamentais do serviço de investimento online Betterment, disse ao Gizmodo na época que a ideia era que, “ao longo do tempo, o preço (da viagem espacial) cairia, e se nossos clientes começam a poupar, conseguirão bancar isso”.

De qualquer forma, US$ 200 mil segue sendo muita grana — cerca de R$ 760 mil —, uma quantia basicamente inalcançável para a maioria. Mesmo para aqueles que já estão guardando.

[Axios]